{"id":147,"date":"2017-04-05T21:00:03","date_gmt":"2017-04-06T00:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/2017\/04\/ubuntu-abandonara-a-interface-unity\/"},"modified":"2026-09-08T01:34:25","modified_gmt":"2026-09-08T04:34:25","slug":"ubuntu-abandonara-a-interface-unity","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/2017\/04\/ubuntu-abandonara-a-interface-unity\/","title":{"rendered":"Ubuntu Abandonara a Interface Unity"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Mascote do LinuxPro entre o monitor antigo com a interface Unity sendo guardada e o monitor moderno com o GNOME\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/unity-gnome-v2.webp\" width=\"1052\" height=\"652\" \/><\/p>\n<div style=\"background:#fff8e1;border-left:4px solid #8b1a1a;padding:.8em 1em;margin:1em 0\"><strong>Nota (2026):<\/strong> Not\u00edcia originalmente publicada em abril de 2017. A decis\u00e3o se confirmou: o Unity8 foi descontinuado e, desde o Ubuntu 17.10, o desktop padr\u00e3o voltou a ser o GNOME. Este texto recupera o an\u00fancio hist\u00f3rico e conta o que aconteceu com o Unity, o Ubuntu Phone e o Mir nos anos seguintes.<\/p>\n<\/div>\n<p>Em 5 de abril de 2017, <strong>Mark Shuttleworth<\/strong>, fundador do Ubuntu e da Canonical, publicou um comunicado que encerrou uma das maiores apostas da hist\u00f3ria da distribui\u00e7\u00e3o: a Canonical <strong>abandonaria o Unity8<\/strong> e a estrat\u00e9gia de converg\u00eancia (o mesmo sistema no desktop, no tablet e no celular), voltando o desktop padr\u00e3o do Ubuntu para o <strong>GNOME<\/strong> a partir do 18.04 LTS. Era o fim de seis anos de uma interface que dividiu a comunidade como poucas.<\/p>\n<p><!-- more --><\/p>\n<h2>O que era o Unity, e por que ele existiu<\/h2>\n<p>O Unity estreou em 2010 (no Ubuntu 10.10 Netbook Edition) e virou padr\u00e3o no 11.04. A ideia era ousada para a \u00e9poca: uma interface \u00fanica que escalasse do notebook ao smartphone, com a <em>launcher<\/em> lateral, o <em>Dash<\/em> de busca global e o menu global no topo. A aposta maior veio depois \u2014 a <strong>converg\u00eancia<\/strong>: voc\u00ea conectaria o celular a um monitor e ele viraria um PC, rodando o mesmo Unity8 sobre o servidor gr\u00e1fico pr\u00f3prio da Canonical, o <strong>Mir<\/strong>. Havia o Ubuntu Phone, tablets, campanha de financiamento coletivo do <em>Ubuntu Edge<\/em> \u2014 tudo apontando para esse futuro.<\/p>\n<p>A comunidade nunca abra\u00e7ou o Unity por inteiro. Para muitos, ele representou fragmenta\u00e7\u00e3o (mais um desktop, mais um servidor gr\u00e1fico fora do padr\u00e3o freedesktop), telemetria pol\u00eamica (o infame &#8220;Amazon lens&#8221; que buscava produtos no Dash) e esfor\u00e7o desviado do que j\u00e1 funcionava. A ind\u00fastria, por sua vez, n\u00e3o aderiu \u00e0 converg\u00eancia: os fabricantes preferiram &#8220;o diabo conhecido&#8221; ou plataformas pr\u00f3prias.<\/p>\n<h2>O an\u00fancio de Shuttleworth, em suas palavras<\/h2>\n<p>No comunicado, Shuttleworth foi honesto sobre a derrota. Vale recuperar os trechos centrais (tradu\u00e7\u00e3o livre):<\/p>\n<blockquote>\n<p>&#8220;Vou avis\u00e1-los de que encerraremos nosso investimento no Unity8, o shell de telefone e converg\u00eancia. Voltaremos o desktop padr\u00e3o do Ubuntu para o GNOME no Ubuntu 18.04 LTS. [&#8230;] Eu parti do princ\u00edpio de que, se a converg\u00eancia era o futuro e pud\u00e9ssemos entreg\u00e1-la como software livre, isso seria amplamente apreciado. <strong>Eu estava errado nas duas contas.<\/strong> Na comunidade, nossos esfor\u00e7os foram vistos como fragmenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o inova\u00e7\u00e3o. E a ind\u00fastria n\u00e3o abra\u00e7ou a possibilidade.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ele refor\u00e7ou que a Canonical seguiria investindo no desktop Ubuntu &#8220;do qual milh\u00f5es dependem&#8221; e que a decis\u00e3o, embora pessoalmente dolorosa, era moldada por restri\u00e7\u00f5es comerciais: o dinheiro iria para onde havia crescimento \u2014 <strong>nuvem e IoT<\/strong>. &#8220;A maior parte das cargas de trabalho em nuvem p\u00fablica, e a maior parte das infraestruturas privadas de nuvem Linux, dependem do Ubuntu&#8221;, escreveu, citando OpenStack, Kubernetes, MAAS, LXD, Juju e os <em>snaps<\/em>\/Ubuntu Core como o eixo do futuro da empresa.<\/p>\n<h2>O que aconteceu depois<\/h2>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o foi r\u00e1pida e, para surpresa de muitos, tranquila. O <strong>Ubuntu 17.10 &#8220;Artful Aardvark&#8221;<\/strong> (outubro de 2017) j\u00e1 veio com GNOME Shell \u2014 mas com uma sess\u00e3o customizada que imitava o Unity (launcher \u00e0 esquerda, tema Ambiance), suavizando o choque para quem vinha de anos de Unity. O 18.04 LTS consolidou o GNOME como o rosto do Ubuntu, como ele segue at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>O resto da aposta teve destinos diferentes:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Ubuntu Phone \/ Ubuntu Touch<\/strong> \u2014 a Canonical encerrou o projeto, mas a comunidade <strong>UBports<\/strong> assumiu o c\u00f3digo e mant\u00e9m o Ubuntu Touch vivo at\u00e9 hoje em alguns aparelhos.<\/li>\n<li><strong>Unity7<\/strong> \u2014 a interface antiga (a que a maioria usou de 2011 a 2017) passou a ser mantida pela comunidade. Em 2023, o <strong>Ubuntu Unity<\/strong> virou <em>flavor<\/em> oficial reconhecido pela Canonical, para quem tem saudade.<\/li>\n<li><strong>Unity8 \/ Lomiri<\/strong> \u2014 foi renomeado para <strong>Lomiri<\/strong> e segue mantido pela UBports.<\/li>\n<li><strong>Mir<\/strong> \u2014 o servidor gr\u00e1fico n\u00e3o morreu: a Canonical o reposicionou como base para displays de IoT e quiosques, hoje falando o protocolo <strong>Wayland<\/strong> em vez de competir com ele.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Linha do tempo<\/h2>\n<ul>\n<li><strong>2010<\/strong> \u2014 Unity estreia no Ubuntu 10.10 Netbook Edition<\/li>\n<li><strong>2011<\/strong> \u2014 Unity vira o desktop padr\u00e3o do Ubuntu (11.04)<\/li>\n<li><strong>2013<\/strong> \u2014 Campanha do Ubuntu Edge; aposta na converg\u00eancia e no Mir<\/li>\n<li><strong>5\/abr\/2017<\/strong> \u2014 Shuttleworth anuncia o fim do Unity8 e a volta ao GNOME<\/li>\n<li><strong>out\/2017<\/strong> \u2014 Ubuntu 17.10 j\u00e1 vem com GNOME Shell<\/li>\n<li><strong>2018<\/strong> \u2014 Ubuntu 18.04 LTS consolida o GNOME como padr\u00e3o<\/li>\n<li><strong>2017+<\/strong> \u2014 UBports assume o Ubuntu Touch; Unity8 vira Lomiri<\/li>\n<li><strong>2023<\/strong> \u2014 Ubuntu Unity torna-se flavor oficial (Unity7 mantido pela comunidade)<\/li>\n<\/ul>\n<h2>O que ficou dessa hist\u00f3ria<\/h2>\n<p>A aposta da Canonical falhou como produto, mas acertou como diagn\u00f3stico: o futuro da empresa estava mesmo na nuvem e na infraestrutura, n\u00e3o no celular. Quase uma d\u00e9cada depois, o Ubuntu \u00e9 o Linux mais usado em servidores de nuvem p\u00fablica, os snaps se espalharam (para o bem e para a pol\u00eamica) e a converg\u00eancia que a Canonical n\u00e3o conseguiu vender virou, de outra forma, realidade em outros ecossistemas.<\/p>\n<p>Para o usu\u00e1rio de desktop, ficou a li\u00e7\u00e3o de que comunidade e mercado \u2014 n\u00e3o a vis\u00e3o de um fundador, por mais convicto \u2014 decidem quais produtos crescem e quais desaparecem. E ficou tamb\u00e9m a prova de que, no software livre, nada morre de vez: Unity7, Unity8 e Ubuntu Touch seguem vivos nas m\u00e3os de quem quis mant\u00ea-los. Para o contexto maior dessa distribui\u00e7\u00e3o, vale <a href=\"\/2026\/09\/a-historia-de-ian-murdock\/\">A hist\u00f3ria de Ian Murdock<\/a>, o fundador do Debian que deu origem ao Ubuntu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 5 de abril de 2017, Mark Shuttleworth, fundador do Ubuntu e da Canonical, publicou um comunicado que encerrou uma das maiores apostas da hist\u00f3ria da distribui\u00e7\u00e3o: a Canonical abandonaria o Unity8 e a estrat\u00e9gia de converg\u00eancia (o mesmo sistema &#8230; <a title=\"Ubuntu Abandonara a Interface Unity\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/2017\/04\/ubuntu-abandonara-a-interface-unity\/\" aria-label=\"Read more about Ubuntu Abandonara a Interface Unity\">Read more<\/a><\/p>","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,3],"tags":[4,5,95],"class_list":["post-147","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-linux","category-ubuntu","tag-linux","tag-ubuntu","tag-unity"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=147"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1040,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/147\/revisions\/1040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}