{"id":551,"date":"2026-09-06T01:17:42","date_gmt":"2026-09-06T04:17:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/2026\/09\/a-historia-do-nagios\/"},"modified":"2026-09-10T23:07:09","modified_gmt":"2026-09-11T02:07:09","slug":"a-historia-do-nagios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/2026\/09\/a-historia-do-nagios\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria do Nagios: o santo que virou o pager"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Mascote do LinuxPro pressionando alerta vermelho no painel Nagios\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/nagios-v4.webp\" width=\"1052\" height=\"652\" \/><\/p>\n<p>Em 14 de mar\u00e7o de 1999 Ethan Galstad soltou o NetSaint 0.0.1. Ele achava que umas doze pessoas iam ligar. O bicho pingava host, rodava plugin, mandava e-mail e pager quando o servi\u00e7o ca\u00eda \u2014 e de novo quando voltava. Em 2002 o nome virou Nagios: \u201cNagios Ain\u2019t Gonna Insist On Sainthood\u201d, hagios = santo, porque NetSaint bateu em marca. Vinte e sete anos depois o Nagios Core 4.5.14 (5 de agosto de 2026) ainda \u00e9 GPLv2, ainda \u00e9 C, ainda \u00e9 o jeito que uma gera\u00e7\u00e3o inteira de admin Linux aprendeu a vigiar m\u00e1quina. O N manuscrito na capa \u00e9 o mesmo desenho torto de sempre.<\/p>\n<p><!-- more --><\/p>\n<h2>1996: um ping no DOS e um pager<\/h2>\n<p>Galstad, nos EUA, escreveu um programinha MS-DOS para pingar servidor Novell NetWare e disparar pager num\u00e9rico. A checagem e o aviso j\u00e1 vinham de ferramenta de terceiro \u2014 a semente do modelo plugin. Em 1998 ele pensou em monitoramento hospedado, reescreveu para Linux. Em mar\u00e7o de 1999 abriu o c\u00f3digo. Os plugins sa\u00edram do tarball logo depois e viraram projeto \u00e0 parte: hoje ainda \u00e9 o <code data-no-translation=\"\">nagios-plugins<\/code> \/ Monitoring Plugins. Sem esse recorte \u2014 um bin\u00e1rio burro que s\u00f3 agenda, e um ex\u00e9rcito de <code data-no-translation=\"\">check_*<\/code> \u2014 o Nagios n\u00e3o teria virado padr\u00e3o.<\/p>\n<h2>2002: o santo que n\u00e3o insistiu<\/h2>\n<p>Marca parecida, advogado, acordo. Galstad mudou o nome mesmo assim. Nagios pronunciado \u201cn\u00e1-gui-ous\u201d. A arquitetura ficou: daemon em C, arquivo de texto como verdade (<code data-no-translation=\"\">nagios.cfg<\/code>, hosts.cfg, services.cfg), CGI em Perl\/C no Apache, estado OK \/ WARNING \/ CRITICAL \/ UNKNOWN, hard\/soft state, flap detection, notification por contato. NRPE para checar o Linux de dentro. NSCA para o check passivo (o host \u00e9 que empurra). Quem j\u00e1 configurou 400 host na unha lembra o ponto: o Nagios n\u00e3o desenha gr\u00e1fico. O Nagios <em>grita<\/em>.<\/p>\n<p>Em junho de 2005 foi Project of the Month no SourceForge. Em 2006 o eWeek botou na lista de ferramenta \u201cmust have\u201d de empresa. Ainda n\u00e3o havia empresa. Havia o Ethan e a lista.<\/p>\n<h2>2.0, 3.0, 4.0: NEB, escala, Core<\/h2>\n<p>Nagios 2.0 (fevereiro de 2006): interface nova e o Event Broker (NEB) \u2014 API para m\u00f3dulo enxergar a estrutura interna. Da\u00ed saiu NDOUtils (estado no MySQL), da\u00ed o que o XI e o Centreon comeram. Nagios 3.0 (mar\u00e7o de 2008): monitoramento adaptativo e f\u00f4lego para instala\u00e7\u00e3o grande. Nagios 4 (2014) reescreveu o scheduler: menos CPU para a mesma quantidade de check.<\/p>\n<p>Por volta de 2007 Galstad fundou a Nagios Enterprises. O Core ficou GPLv2. O produto pago \u2014 Nagios XI, depois Log Server, Network Analyzer, Fusion \u2014 empilha interface, wizard, relat\u00f3rio e suporte em cima do mesmo motor. Open core antes da moda ter nome. Em 2024 a empresa fez 25 anos. XI, Log Server, Analyzer e Fusion j\u00e1 v\u00e3o na linha 2026R1. A World Conference 2026 \u00e9 em St. Paul, Minnesota, 14\u201317 de setembro, na sede.<\/p>\n<h2>A cis\u00e3o: Icinga, Naemon, Checkmk<\/h2>\n<p>Em 2009 parte da comunidade \u2014 cansada do ritmo e da linha entre o que era livre e o que ia para o XI \u2014 forkou. Nasceu o <strong>Icinga<\/strong>. Depois o Naemon (2014), fork do Core 4. O Check_MK de Mathias Kettner (hoje Checkmk) come\u00e7ou como conjunto de plugin e virou produto. Centreon, Shinken, Opsview. O plugin API era t\u00e3o simples que o ecossistema inteiro cabe num <code data-no-translation=\"\">check_disk -w 20% -c 10%<\/code>. O pre\u00e7o: config em arquivo que n\u00e3o escala sem ferramenta. \u00c9 a\u00ed que entra o <a href=\"\/en\/2026\/09\/a-historia-do-nagiosql\/\">NagiosQL<\/a>.<\/p>\n<h2>O que o Nagios ensinou<\/h2>\n<ul>\n<li>Host e service s\u00e3o objetos. Depend\u00eancia (pai) evita tempestade de alerta quando o switch cai.<\/li>\n<li>Check \u00e9 processo externo. Qualquer linguagem. Timeout. C\u00f3digo de sa\u00edda 0\/1\/2\/3.<\/li>\n<li>Notifica\u00e7\u00e3o tem janela, escala\u00e7\u00e3o, downtime, acknowledgement.<\/li>\n<li>O mapa de status CGI \u2014 os quadradinhos verdes e vermelhos \u2014 \u00e9 a est\u00e9tica de uma era. Grafana n\u00e3o existia.<\/li>\n<\/ul>\n<p>The <a href=\"\/en\/2026\/09\/a-historia-do-zabbix\/\">Zabbix<\/a> tomou o outro caminho: item no banco, agente que coleta, trigger que avalia, gr\u00e1fico nativo. O Prometheus, neste blog, \u00e9 a terceira via: <a href=\"\/en\/2026\/09\/monitorando-servidores-linux-com-prometheus\/\">pull, m\u00e9trica, Node Exporter<\/a>.<\/p>\n<h2>2026: Core 4.5.14, XI 2026R1<\/h2>\n<p>O Core 4.5.14 saiu em 5 de agosto de 2026. GitHub <code data-no-translation=\"\">NagiosEnterprises\/nagioscore<\/code>. NRPE 4.x ainda \u00e9 o jeito cl\u00e1ssico de falar com o Linux. Distro empacota 4.4\/4.5. O XI 2026R1.4 ganhou wizard de Nutanix e de switch. N\u00e3o \u00e9 o motor da nuvem \u2014 o Zabbix e o Prometheus comeram esse peda\u00e7o \u2014 mas em NOC de empresa que j\u00e1 tem mil <code data-no-translation=\"\">.cfg<\/code>, o N n\u00e3o sai.<\/p>\n<h2>O Nagios na pr\u00e1tica, em cinco minutos<\/h2>\n<p>Hist\u00f3ria \u00e0 parte, o motor ainda instala e roda com dois comandos. No Debian ou Ubuntu:<\/p>\n<pre data-no-translation=\"\"><code class=\"language-bash\" data-no-translation=\"\">sudo apt update\nsudo apt install nagios4 monitoring-plugins nagios-nrpe-plugin\n<\/code><\/pre>\n<p>A configura\u00e7\u00e3o \u00e9 o que a s\u00e9rie toda ensinou a odiar e a amar: <strong>arquivo de texto \u00e9 a verdade<\/strong>. Tudo vive em <code data-no-translation=\"\">\/etc\/nagios4\/<\/code>, e cada coisa monitorada \u00e9 um objeto. Um host novo cabe em oito linhas:<\/p>\n<pre data-no-translation=\"\"><code class=\"language-text\" data-no-translation=\"\">define host {\n    use             generic-host\n    host_name       servidor-web\n    address         192.168.0.20\n    max_check_attempts  3\n}\n\ndefine service {\n    use                 generic-service\n    host_name           servidor-web\n    service_description Espaco em disco\n    check_command       check_disk!20%!10%!\/\n}\n<\/code><\/pre>\n<p>Aquele <code data-no-translation=\"\">check_disk!20%!10%!\/<\/code> \u00e9 a alma do projeto: o Nagios n\u00e3o sabe o que \u00e9 disco. Ele s\u00f3 chama um programa externo, passa argumentos separados por <code data-no-translation=\"\">!<\/code> e olha o <strong>c\u00f3digo de sa\u00edda<\/strong> \u2014 0 \u00e9 OK, 1 \u00e9 WARNING, 2 \u00e9 CRITICAL, 3 \u00e9 UNKNOWN. Qualquer coisa que respeite esse contrato vira um check, em qualquer linguagem:<\/p>\n<pre data-no-translation=\"\"><code class=\"language-bash\" data-no-translation=\"\"># rodando um plugin na m\u00e3o, como o daemon faria\n\/usr\/lib\/nagios\/plugins\/check_disk -w 20% -c 10% -p \/\necho $?      # 0 = OK, 1 = WARNING, 2 = CRITICAL, 3 = UNKNOWN\n\n# um \"plugin\" seu funciona igual: escreva o arquivo abaixo em\n# \/usr\/lib\/nagios\/plugins\/check_meu e marque como executavel\n#\n#   #!\/bin\/bash\n#   if pgrep -x meu-daemon &gt;\/dev\/null; then\n#       echo \"OK - rodando\"; exit 0\n#   fi\n#   echo \"CRITICAL - parado\"; exit 2\n\nsudo chmod +x \/usr\/lib\/nagios\/plugins\/check_meu\n\/usr\/lib\/nagios\/plugins\/check_meu; echo $?\n<\/code><\/pre>\n<p>Antes de recarregar, valide \u2014 o Nagios se recusa a subir com configura\u00e7\u00e3o quebrada, e o verificador aponta o arquivo e a linha:<\/p>\n<pre data-no-translation=\"\"><code class=\"language-bash\" data-no-translation=\"\">sudo nagios4 -v \/etc\/nagios4\/nagios.cfg\nsudo systemctl reload nagios4\n<\/code><\/pre>\n<p>Para checar de dentro de um servidor remoto \u2014 carga, mem\u00f3ria, processos, coisas que o ping n\u00e3o enxerga \u2014 instala-se o <strong>NRPE<\/strong> no alvo e chama-se de fora com <code data-no-translation=\"\">check_nrpe<\/code>. \u00c9 o modelo ativo. Quando o alvo est\u00e1 atr\u00e1s de NAT ou firewall e \u00e9 ele quem precisa falar, inverte-se com o <strong>NSCA<\/strong>: o host empurra o resultado para o servidor. Dois mecanismos, a mesma ideia de c\u00f3digo de sa\u00edda.<\/p>\n<h2>Timeline<\/h2>\n<ul>\n<li><strong>1996<\/strong> \u2014 Ethan Galstad escreve um programa MS-DOS que pinga servidores NetWare e dispara pager num\u00e9rico.<\/li>\n<li><strong>1998<\/strong> \u2014 a ideia vira monitoramento hospedado e \u00e9 reescrita para Linux.<\/li>\n<li><strong>14\/03\/1999<\/strong> \u2014 lan\u00e7amento do NetSaint 0.0.1, com o c\u00f3digo aberto.<\/li>\n<li><strong>2002<\/strong> \u2014 conflito de marca for\u00e7a a troca de nome: nasce o Nagios, \u201cNagios Ain\u2019t Gonna Insist On Sainthood\u201d.<\/li>\n<li><strong>jun\/2005<\/strong> \u2014 Project of the Month no SourceForge.<\/li>\n<li><strong>fev\/2006<\/strong> \u2014 Nagios 2.0 traz o Event Broker (NEB), a API que abriria caminho para NDOUtils, XI e Centreon.<\/li>\n<li><strong>2007<\/strong> \u2014 Galstad funda a Nagios Enterprises; o Core segue em GPLv2 e o XI nasce como produto pago.<\/li>\n<li><strong>mar\/2008<\/strong> \u2014 Nagios 3.0: monitoramento adaptativo e f\u00f4lego para instala\u00e7\u00f5es grandes.<\/li>\n<li><strong>2009<\/strong> \u2014 parte da comunidade forka o projeto e cria o <strong>Icinga<\/strong>.<\/li>\n<li><strong>2014<\/strong> \u2014 Nagios 4 reescreve o scheduler; no mesmo per\u00edodo surge o Naemon, fork do Core 4.<\/li>\n<li><strong>2024<\/strong> \u2014 a Nagios Enterprises completa 25 anos.<\/li>\n<li><strong>05\/08\/2026<\/strong> \u2014 sai o Nagios Core 4.5.14, ainda em C e ainda GPLv2.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>O que ficou<\/h2>\n<p>Um ping no DOS, um santo que perdeu a marca e um daemon que s\u00f3 agenda plugin. A gera\u00e7\u00e3o seguinte forkou. A empresa fez o XI. O Core, GPLv2, ainda responde <code data-no-translation=\"\">nagios -v \/etc\/nagios\/nagios.cfg<\/code>. 4.5.14, St. Paul, pager no come\u00e7o, webhook no fim. O N sublinhado continua torto de prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>A GUI que escreve o cfg: <a href=\"\/en\/2026\/09\/a-historia-do-nagiosql\/\">NagiosQL<\/a>. O rival let\u00e3o: <a href=\"\/en\/2026\/09\/a-historia-do-zabbix\/\">Zabbix<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 14 de mar\u00e7o de 1999 Ethan Galstad soltou o NetSaint 0.0.1. Ele achava que umas doze pessoas iam ligar. O bicho pingava host, rodava plugin, mandava e-mail e pager quando o servi\u00e7o ca\u00eda \u2014 e de novo quando voltava. Em 2002 o nome virou Nagios: \u201cNagios Ain\u2019t Gonna Insist On Sainthood\u201d, hagios = santo, &#8230; <a title=\"A hist\u00f3ria do Nagios: o santo que virou o pager\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/2026\/09\/a-historia-do-nagios\/\" aria-label=\"Read more about A hist\u00f3ria do Nagios: o santo que virou o pager\">Read more<\/a><\/p>","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,2,111,120],"tags":[250,126,248,249],"class_list":["post-551","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-infra","category-linux","category-opensource","category-servidores","tag-icinga","tag-monitoramento","tag-nagios","tag-nrpe"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/551","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=551"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/551\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1517,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/551\/revisions\/1517"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=551"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=551"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=551"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}