{"id":636,"date":"2026-09-06T11:30:21","date_gmt":"2026-09-06T14:30:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/2026\/09\/a-historia-da-linguagem-rust\/"},"modified":"2026-09-08T12:14:39","modified_gmt":"2026-09-08T15:14:39","slug":"a-historia-da-linguagem-rust","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/2026\/09\/a-historia-da-linguagem-rust\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria da linguagem Rust"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Mascote do LinuxPro encaixando a engrenagem do Rust na casa de m\u00e1quinas do elevador, com o caranguejo Ferris na bancada\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/rust-v4.webp\" width=\"1486\" height=\"856\" \/><\/p>\n<p>Rust come\u00e7ou num hobby de 2006: Graydon Hoare, engenheiro da Mozilla, irritado com o elevador do pr\u00e9dio que ca\u00eda por software em C. O nome veio do fungo \u2014 \u201csuperengenheirado para sobreviver\u201d. A Mozilla patrocinou em 2009. A 0.1 p\u00fablica saiu em 20 de janeiro de 2012. A 1.0, em <strong>15 de maio de 2015<\/strong>. Em 3 de setembro de 2026 a est\u00e1vel \u00e9 a <strong>1.98.1<\/strong>. Sem coletor de lixo. Sem data race. O kernel Linux 6.1 (dezembro de 2022) aceitou a segunda l\u00edngua da hist\u00f3ria do projeto: Rust, ao lado de C.<\/p>\n<p><!-- more --><\/p>\n<h2>2006: o elevador e o OCaml<\/h2>\n<p>Hoare tinha 29 anos e trabalhava na Mozilla. O elevador do apartamento travava; ele atribuiu a bugs de mem\u00f3ria no controlador. A tese: d\u00e1 para ter desempenho de C++ sem o undefined behavior. Entre 2006 e 2009 o projeto ficou no tempo livre. O primeiro compilador tinha umas 38 mil linhas de <strong>OCaml<\/strong>. Tinha coisas que depois sumiram: OOP expl\u00edcito com <code>obj<\/code>, an\u00e1lise de typestate, um coletor de lixo.<\/p>\n<p>As influ\u00eancias, nas palavras dele, eram \u201ctecnologia do passado para salvar o futuro de si mesmo\u201d: CLU, Erlang, Newsqueak, Limbo, Mesa, Sather, Alef. Manish Goregaokar resumiu: pesquisa de d\u00e9cadas, n\u00e3o moda.<\/p>\n<p>O nome <em>rust<\/em> \u00e9 o da ferrugem dos fungos, n\u00e3o o da chapa. Superf\u00edcie hostil, organismo teimoso.<\/p>\n<h2>A ideia central: ownership e o borrow checker<\/h2>\n<p>Antes de seguir a cronologia, vale entender o que o Rust realmente inventou \u2014 porque n\u00e3o \u00e9 sintaxe, \u00e9 uma regra de contabilidade que o compilador cobra.<\/p>\n<p>Em C voc\u00ea aloca e libera na m\u00e3o, e erra: usar depois de liberar, liberar duas vezes, estourar o buffer. Em Java ou Go, um coletor de lixo resolve isso em troca de pausas e de mem\u00f3ria extra. O Rust escolheu a terceira porta: <strong>nenhum dos dois<\/strong>. Cada valor tem um \u00fanico dono; quando o dono sai de escopo, a mem\u00f3ria \u00e9 liberada \u2014 em tempo de compila\u00e7\u00e3o, sem runtime nenhum.<\/p>\n<pre><code class=\"language-rust\">fn main() {\n    let s1 = String::from(\"ol\u00e1\");\n    let s2 = s1;              \/\/ a posse MOVE de s1 para s2\n    println!(\"{s1}\");          \/\/ erro de compila\u00e7\u00e3o: s1 n\u00e3o \u00e9 mais dono\n}<\/code><\/pre>\n<p>Para usar sem transferir a posse, voc\u00ea <em>empresta<\/em> \u2014 e aqui entra a regra que d\u00e1 nome ao <em>borrow checker<\/em>: ou voc\u00ea tem <strong>v\u00e1rios empr\u00e9stimos s\u00f3 de leitura<\/strong>, ou <strong>um \u00fanico de escrita<\/strong>, nunca os dois ao mesmo tempo.<\/p>\n<pre><code class=\"language-rust\">let mut v = vec![1, 2, 3];\nlet primeiro = &amp;v[0];      \/\/ empr\u00e9stimo de leitura\nv.push(4);                  \/\/ erro: precisaria de empr\u00e9stimo de escrita\nprintln!(\"{primeiro}\");<\/code><\/pre>\n<p>Parece implic\u00e2ncia \u2014 e \u00e9 exatamente esse o passo em que quem vem de C++ desiste na primeira semana. Mas essa mesma regra, aplicada entre threads, \u00e9 o que elimina <em>data race<\/em> em tempo de compila\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 conven\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 boa pr\u00e1tica, n\u00e3o \u00e9 revis\u00e3o de c\u00f3digo: o programa n\u00e3o compila. \u00c9 por isso que o kernel se interessou.<\/p>\n<h2>2009\u20132012: a nerd cave<\/h2>\n<p>Em 2009 a Mozilla oficializou. Brendan Eich (ent\u00e3o CTO) e a Research viram um motor de browser seguro. Entraram Patrick Walton, Niko Matsakis, Felix Klock, Goregaokar. A sala virou \u201cnerd cave\u201d, com placa na porta \u2014 apelido de Dave Herman. Ownership j\u00e1 estava no desenho por volta de 2010. O logo, em 2011, saiu de uma <strong>coroa de bicicleta<\/strong> (chainring): o R dentro da engrenagem.<\/p>\n<p>O compilador passou a se auto-hospedar, alvo LLVM. Em <strong>20 de janeiro de 2012<\/strong> saiu a 0.1 para Linux, Windows e macOS \u2014 a primeira p\u00fablica. Bootstrap em 2011 levava horas.<\/p>\n<h2>At\u00e9 a 1.0: o GC some, Graydon sai<\/h2>\n<p>De 2012 a 2015 o sistema de tipos virou o Rust de hoje. O GC, raro em 2013, foi removido. Sumiram o typestate, o <code>pure<\/code>, os ponteiros especiais e a sintaxe de canal. Quem vinha de C++ puxou desempenho; quem vinha de script, o Cargo; quem vinha de ML, o tipo.<\/p>\n<p>Em 2013 Hoare saiu do dia a dia. A governan\u00e7a virou federada: core team de seis, depois nove, RFCs a partir de mar\u00e7o de 2014. Andrew Binstock no Dr. Dobb\u2019s (jan\/2014): l\u00edngua elegante, ado\u00e7\u00e3o lenta porque mudava a cada nightly.<\/p>\n<p>Em <strong>15 de maio de 2015<\/strong> a 1.0. Compromisso de compatibilidade. Steve Klabnik escreveu dezenas de p\u00e1ginas de docs na reta final. Um ano depois: 1.400 contribuidores no compilador, 5 mil crates. O <code>cargo<\/code> j\u00e1 era o gerenciador oficial (2014).<\/p>\n<h2>Servo, Firefox, o teste de fogo<\/h2>\n<p>A Mozilla e a Samsung financiaram o <strong>Servo<\/strong> (2012 em diante): motor de browser em Rust, laborat\u00f3rio da l\u00edngua. Firefox 45 (2016) j\u00e1 embarcava c\u00f3digo Rust. Componentes do Servo chegaram no 57 (setembro de 2017), projeto Quantum. Sem o browser, a 1.0 teria sido outra l\u00edngua.<\/p>\n<p>Fora da Mozilla, cedo: Samsung, Facebook, Dropbox, Tilde (Ember). AWS em 2020. O argumento repetido: desempenho, sem GC, sem data race, experi\u00eancia de compilador que empurra o c\u00f3digo seguro.<\/p>\n<h2>Edi\u00e7\u00f5es: 2018, 2021, 2024<\/h2>\n<p>Rust n\u00e3o quebra crate velha no compilador novo. A crate declara a <em>edition<\/em> no <code>Cargo.toml<\/code> e convive com a toolchain atual.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>2015<\/strong> \u2014 a 1.0.<\/li>\n<li><strong>2018<\/strong> (1.31) \u2014 m\u00f3dulo, <code>?<\/code> mais ergon\u00f4mico, non-lexical lifetimes.<\/li>\n<li><strong>2021<\/strong> (1.56, out\/2021) \u2014 disjoint capture em closures, resolver de prelude.<\/li>\n<li><strong>2024<\/strong> \u2014 com a 1.85.0, em 20 de fevereiro de 2025.<\/li>\n<\/ul>\n<p><code>async<\/code>\/<code>await<\/code> estabilizou na 1.39 (7 de novembro de 2019). Sem isso, o Rust de servidor web n\u00e3o existiria como existe.<\/p>\n<h2>2020: a Mozilla corta, nasce a Foundation<\/h2>\n<p>Em agosto de 2020 a Mozilla demitiu 250 pessoas \u2014 cerca de um quarto do quadro. O time do Servo se dissolveu. O core team anunciou uma funda\u00e7\u00e3o independente para marcas e dom\u00ednio. Em <strong>8 de fevereiro de 2021<\/strong> nasceu a <a href=\"https:\/\/rustfoundation.org\">Rust Foundation<\/a>: AWS, Google, Huawei, Microsoft, Mozilla. Meta e ARM entraram no mesmo ano. Google, em abril de 2021, anunciou Rust no Android Open Source Project.<\/p>\n<p>Em junho de 2026 a OpenAI entrou na Foundation. Marcas e pol\u00edtica de trademark geraram briga em 2023 (o rascunho foi mal recebido). Governan\u00e7a federada n\u00e3o \u00e9 paz eterna \u2014 em novembro de 2021 o time de modera\u00e7\u00e3o renunciou em protesto. A l\u00edngua sobreviveu aos dois.<\/p>\n<h2>O kernel: da experi\u00eancia de 2022 ao veredito de 2025<\/h2>\n<p>Linus puxou a infra Rust no merge da 6.1 (Phoronix, 3 de outubro de 2022; est\u00e1vel em 11 de dezembro). Cerca de 12 mil linhas: build, crates m\u00ednimos, \u201chello world\u201d de m\u00f3dulo. Segunda l\u00edngua do kernel depois de C \u2014 mas entrou declaradamente como <strong>experimento<\/strong>: se n\u00e3o desse certo, sairia.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2025, no Maintainers Summit, a sess\u00e3o conduzida por <strong>Miguel Ojeda<\/strong> declarou o experimento um sucesso, e o Rust passou a linguagem central do kernel ao lado de C e assembly. Os n\u00fameros que sustentaram a decis\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>O driver <strong>Nova<\/strong>, para GPUs NVIDIA, com pe\u00e7as j\u00e1 na linha principal; <strong>Tyr<\/strong> para Mali e o driver do <a href=\"\/2026\/09\/linux-apple-silicon-thunderbolt\/\">Asahi<\/a> para Apple Silicon na mesma trilha.<\/li>\n<li>O <strong>binder do Android<\/strong> reescrito em Rust, integrado na 6.18.<\/li>\n<li>O <strong>ashmem<\/strong> em Rust rodando no Android 16 sobre o kernel 6.12 \u2014 milh\u00f5es de aparelhos reais com c\u00f3digo Rust no kernel.<\/li>\n<li>O Debian habilitou Rust nas builds do kernel, o que aparece a partir do &#8220;forky&#8221;.<\/li>\n<li>A quantidade de c\u00f3digo Rust no kernel <strong>quintuplicou em um ano<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Duas frentes de compilador tamb\u00e9m andaram: o <code>rustc_codegen_gcc<\/code>, que enxerta o gerador de c\u00f3digo do GCC no rustc, e o <strong>gccrs<\/strong>, o compilador Rust do pr\u00f3prio GCC \u2014 que j\u00e1 consegue compilar o c\u00f3digo Rust do kernel. Isso importa porque tira o kernel da depend\u00eancia de um \u00fanico compilador, velha exig\u00eancia da comunidade.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de vers\u00e3o ficou pragm\u00e1tica: o kernel se compromete a compilar com a vers\u00e3o do Rust que estiver no Debian est\u00e1vel, subindo o m\u00ednimo de 6 a 12 meses depois de cada release do Debian. Para este blog, o recado \u00e9 o de sempre: o C do kernel deixou de ser dogma.<\/p>\n<h2>Onde o Rust j\u00e1 est\u00e1 na sua distro<\/h2>\n<p>A parte que surpreende quem n\u00e3o acompanhou: o Rust deixou de ser &#8220;linguagem de projeto novo&#8221; e entrou no caminho cr\u00edtico do sistema que voc\u00ea usa.<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Ubuntu 25.10<\/strong> passou a entregar o <code>sudo<\/code> pelo <strong>sudo-rs<\/strong>, a reimplementa\u00e7\u00e3o em Rust \u2014 com o sudo original ainda dispon\u00edvel como alternativa no <code>update-alternatives<\/code>.<\/li>\n<li><strong>Ubuntu 26.04 LTS<\/strong> \u00e9 o primeiro LTS a trazer os utilit\u00e1rios b\u00e1sicos do <strong>uutils\/coreutils<\/strong> em Rust no lugar dos do GNU: <code>ls<\/code>, <code>cp<\/code>, <code>mv<\/code> e dezenas de outros. A estrat\u00e9gia da Canonical foi a correta \u2014 testar nas vers\u00f5es intermedi\u00e1rias antes de promover ao LTS.<\/li>\n<li>No kernel, os drivers em Rust citados acima; no Android, o binder e o ashmem.<\/li>\n<\/ul>\n<p>N\u00e3o \u00e9 consenso: parte da comunidade acha que trocar o coreutils do GNU por uma reimplementa\u00e7\u00e3o de licen\u00e7a permissiva \u00e9 decis\u00e3o pol\u00edtica, n\u00e3o t\u00e9cnica. O argumento do outro lado \u00e9 direto \u2014 <code>ls<\/code> e <code>cp<\/code> processam entrada n\u00e3o confi\u00e1vel h\u00e1 cinquenta anos em C.<\/p>\n<h2>Instalando no Linux<\/h2>\n<p>A s\u00e9rie est\u00e1vel em 3 de setembro de 2026 \u00e9 a <strong>1.98.1<\/strong>. O caminho oficial \u00e9 o rustup, n\u00e3o o <code>apt<\/code> atrasado da distro \u2014 o Rust lan\u00e7a a cada seis semanas e o pacote da distro fica velho r\u00e1pido:<\/p>\n<pre><code class=\"language-bash\">curl --proto '=https' --tlsv1.2 -sSf https:\/\/sh.rustup.rs | sh\nsource \"$HOME\/.cargo\/env\"\nrustc --version\ncargo new ola &amp;&amp; cd ola &amp;&amp; cargo run<\/code><\/pre>\n<p>O <code>rustup<\/code> gerencia toolchains lado a lado \u2014 est\u00e1vel, beta e nightly \u2014 e \u00e9 como voc\u00ea troca de canal sem quebrar nada:<\/p>\n<pre><code class=\"language-bash\">rustup update\nrustup toolchain install nightly\ncargo +nightly build\nrustup component add clippy rustfmt   # linter e formatador oficiais<\/code><\/pre>\n<h2>O outro lado<\/h2>\n<p>Um post de hist\u00f3ria que s\u00f3 elogia n\u00e3o serve para decidir nada. O que pesa contra:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Curva de aprendizado real.<\/strong> O borrow checker n\u00e3o negocia. As primeiras semanas s\u00e3o de brigar com o compilador, e a queixa \u00e9 leg\u00edtima \u2014 s\u00f3 passa depois que o modelo mental de posse entra.<\/li>\n<li><strong>Tempo de compila\u00e7\u00e3o.<\/strong> Projeto grande com muitas depend\u00eancias compila devagar, e o <em>build<\/em> limpo \u00e9 sofrido. Melhorou muito, ainda incomoda.<\/li>\n<li><strong>O ecossistema ass\u00edncrono \u00e9 complexo.<\/strong> <code>async<\/code>\/<code>await<\/code> estabilizou, mas o runtime n\u00e3o vem na biblioteca padr\u00e3o: voc\u00ea escolhe Tokio ou async-std e vive com a consequ\u00eancia.<\/li>\n<li><strong>&#8220;Reescreve em Rust&#8221; virou meme por um motivo.<\/strong> Nem todo software precisa da garantia; boa parte do que se reescreve n\u00e3o tinha bug de mem\u00f3ria relevante para come\u00e7ar.<\/li>\n<li><strong>Governan\u00e7a tem atrito.<\/strong> Em novembro de 2021 o time de modera\u00e7\u00e3o renunciou em bloco; em 2023 o rascunho da pol\u00edtica de marca foi rejeitado pela comunidade. A l\u00edngua sobreviveu aos dois, mas n\u00e3o \u00e9 o projeto sereno que a propaganda sugere.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Dito isso: Dual MIT \/ Apache-2.0, sem dono \u00fanico, com funda\u00e7\u00e3o. Ferris, o caranguejo, \u00e9 mascote da comunidade \u2014 n\u00e3o \u00e9 o logo. O logo \u00e9 a coroa de bicicleta.<\/p>\n<h2>Linha do tempo<\/h2>\n<ul>\n<li><strong>2006<\/strong> \u2014 Graydon Hoare come\u00e7a o projeto no tempo livre, em OCaml, depois de um elevador que travava por bug de mem\u00f3ria.<\/li>\n<li><strong>2009<\/strong> \u2014 a Mozilla oficializa o patroc\u00ednio; nasce a &#8220;nerd cave&#8221;.<\/li>\n<li><strong>2010<\/strong> \u2014 o modelo de <em>ownership<\/em> j\u00e1 est\u00e1 no desenho.<\/li>\n<li><strong>2011<\/strong> \u2014 o compilador passa a se auto-hospedar, com alvo LLVM; sai o logo da coroa de bicicleta.<\/li>\n<li><strong>20 de janeiro de 2012<\/strong> \u2014 a 0.1, primeira vers\u00e3o p\u00fablica.<\/li>\n<li><strong>2012<\/strong> \u2014 come\u00e7a o <strong>Servo<\/strong>, motor de browser em Rust financiado por Mozilla e Samsung.<\/li>\n<li><strong>2013<\/strong> \u2014 o coletor de lixo \u00e9 removido; Hoare sai do dia a dia; a governan\u00e7a vira federada.<\/li>\n<li><strong>Mar\u00e7o de 2014<\/strong> \u2014 come\u00e7a o processo de RFCs.<\/li>\n<li><strong>15 de maio de 2015<\/strong> \u2014 a <strong>1.0<\/strong>, com compromisso de compatibilidade.<\/li>\n<li><strong>2016<\/strong> \u2014 o Firefox 45 j\u00e1 embarca c\u00f3digo Rust.<\/li>\n<li><strong>Setembro de 2017<\/strong> \u2014 o Firefox 57 (projeto Quantum) leva componentes do Servo para produ\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>2018<\/strong> \u2014 edi\u00e7\u00e3o 2018, na 1.31: m\u00f3dulos, <code>?<\/code> ergon\u00f4mico, <em>non-lexical lifetimes<\/em>.<\/li>\n<li><strong>7 de novembro de 2019<\/strong> \u2014 <code>async<\/code>\/<code>await<\/code> estabiliza na 1.39.<\/li>\n<li><strong>Agosto de 2020<\/strong> \u2014 a Mozilla demite 250 pessoas; o time do Servo se dissolve.<\/li>\n<li><strong>8 de fevereiro de 2021<\/strong> \u2014 nasce a <strong>Rust Foundation<\/strong>, com AWS, Google, Huawei, Microsoft e Mozilla.<\/li>\n<li><strong>Abril de 2021<\/strong> \u2014 o Google anuncia Rust no Android Open Source Project.<\/li>\n<li><strong>Outubro de 2021<\/strong> \u2014 edi\u00e7\u00e3o 2021, na 1.56.<\/li>\n<li><strong>11 de dezembro de 2022<\/strong> \u2014 o kernel Linux 6.1 aceita a infraestrutura Rust, como experimento.<\/li>\n<li><strong>20 de fevereiro de 2025<\/strong> \u2014 edi\u00e7\u00e3o 2024, na 1.85.0.<\/li>\n<li><strong>Maio de 2025<\/strong> \u2014 dez anos de Rust est\u00e1vel.<\/li>\n<li><strong>Outubro de 2025<\/strong> \u2014 Ubuntu 25.10 entrega o <code>sudo<\/code> pelo sudo-rs.<\/li>\n<li><strong>Dezembro de 2025<\/strong> \u2014 o Maintainers Summit declara o experimento do kernel um sucesso; Rust vira linguagem central ao lado de C.<\/li>\n<li><strong>Junho de 2026<\/strong> \u2014 a OpenAI entra na Rust Foundation.<\/li>\n<li><strong>2026<\/strong> \u2014 o Ubuntu 26.04 LTS traz o coreutils em Rust; a est\u00e1vel \u00e9 a 1.98.1.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Para seguir daqui<\/h2>\n<p>O mapa das l\u00ednguas deste blog: <a href=\"\/2017\/05\/linguagens-de-programacao\/\">As 7 principais linguagens<\/a>. O irm\u00e3o de 2007 no Google, com filosofia oposta: <a href=\"\/2026\/09\/a-historia-da-linguagem-go\/\">A hist\u00f3ria da linguagem Go<\/a>. O kernel que abriu a porta: <a href=\"\/2026\/09\/linux-35-anos\/\">Linux faz 35 anos<\/a> e <a href=\"\/2026\/09\/a-historia-de-linus-torvalds\/\">A hist\u00f3ria de Linus Torvalds<\/a>. Toolchain no Linux: <a href=\"\/2019\/12\/install-golang-linux\/\">Go<\/a> e <a href=\"\/2017\/05\/instalando-swift-no-linux\/\">Swift<\/a>.<\/p>\n<h2>O que ficou<\/h2>\n<p>Um elevador, um OCaml, uma nerd cave, uma 1.0 em 2015, um kernel em 2022, uma 1.98.1 em 2026. Graydon descreveu o anivers\u00e1rio de dez anos (maio de 2025) como infra que ele mal reconhece. O recado n\u00e3o mudou: mem\u00f3ria segura sem GC, no metal, no Linux.<\/p>\n<p>Site: <a href=\"https:\/\/www.rust-lang.org\">rust-lang.org<\/a> \u00b7 1.0: <a href=\"https:\/\/blog.rust-lang.org\/2015\/05\/15\/Rust-1.0.html\">15 mai 2015<\/a> \u00b7 1.98.1: <a href=\"https:\/\/blog.rust-lang.org\/releases\/\">blog.rust-lang.org\/releases<\/a> \u00b7 Foundation: <a href=\"https:\/\/rustfoundation.org\">rustfoundation.org<\/a> \u00b7 dez anos, nas palavras de Hoare: <a href=\"https:\/\/rustfoundation.org\/media\/10-years-of-stable-rust-an-infrastructure-story\/\">10 Years of Stable Rust<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rust come\u00e7ou num hobby de 2006: Graydon Hoare, engenheiro da Mozilla, irritado com o elevador do pr\u00e9dio que ca\u00eda por software em C. O nome veio do fungo \u2014 \u201csuperengenheirado para sobreviver\u201d. A Mozilla patrocinou em 2009. A 0.1 p\u00fablica saiu em 20 de janeiro de 2012. A 1.0, em 15 de maio de 2015. &#8230; <a title=\"A hist\u00f3ria da linguagem Rust\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/2026\/09\/a-historia-da-linguagem-rust\/\" aria-label=\"Read more about A hist\u00f3ria da linguagem Rust\">Read more<\/a><\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[45,2,111],"tags":[302,131,301,303,300,158],"class_list":["post-636","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenv","category-linux","category-opensource","tag-cargo","tag-kernel","tag-linguagens","tag-llvm","tag-mozilla","tag-rust"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/636","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=636"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/636\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1436,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/636\/revisions\/1436"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=636"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=636"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=636"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}