{"id":717,"date":"2026-09-06T15:53:11","date_gmt":"2026-09-06T18:53:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/2026\/09\/a-historia-da-amd\/"},"modified":"2026-09-06T16:00:38","modified_gmt":"2026-09-06T19:00:38","slug":"a-historia-da-amd","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/2026\/09\/a-historia-da-amd\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria da AMD"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/capa-a-historia-da-amd.webp\" alt=\"A hist\u00f3ria da AMD\" width=\"1020\" height=\"620\" \/><\/p>\n<p>Nenhuma empresa de tecnologia morreu e renasceu tantas vezes quanto a AMD. Fundada em 1969 para viver \u00e0 sombra da Intel, ela passou cinco d\u00e9cadas alternando golpes de g\u00eanio (o Athlon, o x86-64, o Zen) com beiras de abismo \u2014 at\u00e9 que uma engenheira chamada Lisa Su transformou uma a\u00e7\u00e3o de US$ 2 na maior virada da hist\u00f3ria dos semicondutores. Esta \u00e9 a hist\u00f3ria da AMD, com datas e cicatrizes.<\/p>\n<h2>1969: oito homens e um plano de segunda fonte<\/h2>\n<p>Under <strong>1\u00ba de maio de 1969<\/strong>, <strong>Jerry Sanders<\/strong> \u2014 o vendedor mais carism\u00e1tico da Fairchild Semiconductor \u2014 fundou a Advanced Micro Devices com sete colegas. Enquanto a Intel dos ex-Fairchild Noyce e Moore nasceu regada a capital, Sanders penou para levantar o dinheiro. A estrat\u00e9gia inicial era humilde e inteligente: ser <strong>segunda fonte<\/strong> de chips alheios, fabricando com mais qualidade os projetos dos outros.<\/p>\n<h2>1982: o contrato que definiu tudo<\/h2>\n<p>Quando a IBM escolheu o Intel 8088 para o seu PC, exigiu uma segunda fonte de fornecimento. Resultado: em <strong>1982<\/strong>, a Intel foi obrigada a licenciar o x86 para a AMD. O casamento for\u00e7ado azedou r\u00e1pido \u2014 em <strong>1987<\/strong> a Intel cortou o acesso ao 386, e as duas mergulharam em <strong>oito anos de guerra judicial<\/strong> que terminou em 1995 com a AMD garantindo o direito de fazer chips x86 com projeto pr\u00f3prio. Enquanto isso, o <strong>Am386<\/strong> (1991) e o Am486 venderam milh\u00f5es clonando o desempenho da Intel por menos.<\/p>\n<h2>1999\u20132003: Athlon e o golpe de mestre do x86-64<\/h2>\n<p>Com o <strong>Athlon (K7, 1999)<\/strong> \u2014 projeto liderado por Dirk Meyer, veterano do DEC Alpha \u2014 a AMD fez o impens\u00e1vel: superou a Intel em desempenho, e em <strong>2000 cravou o primeiro GHz<\/strong> da hist\u00f3ria dos processadores de consumo, dias antes da rival. O golpe seguinte foi ainda maior: enquanto a Intel apostava no Itanium de 64 bits incompat\u00edvel, a AMD estendeu o x86 para 64 bits mantendo compatibilidade total. O <strong>Opteron e o Athlon 64 (2003)<\/strong> venceram t\u00e3o claramente que a Intel teve de engolir o orgulho e licenciar o <strong>AMD64<\/strong> \u2014 at\u00e9 hoje, todo processador x86 de 64 bits do planeta, incluindo os da Intel, roda a arquitetura da AMD (o <code data-no-translation=\"\">x86_64<\/code> do seu <code data-no-translation=\"\">uname -m<\/code>).<\/p>\n<h2>2006\u20132012: ATI, Bulldozer e a beira do abismo<\/h2>\n<p>Under <strong>2006<\/strong>, a AMD pagou <strong>US$ 5,4 bilh\u00f5es pela ATI<\/strong> \u2014 cara demais, na hora errada. Endividada, trope\u00e7ou nas arquiteturas (o atraso do Barcelona, o fiasco do <strong>Bulldozer em 2011<\/strong>) enquanto a Intel acertava com o Core. Em <strong>2009<\/strong>, vendeu as pr\u00f3prias f\u00e1bricas (nascia a GlobalFoundries) para sobreviver. Em <strong>2012<\/strong>, a a\u00e7\u00e3o valia cerca de <strong>US$ 2<\/strong> e analistas escreviam obitu\u00e1rios. A aquisi\u00e7\u00e3o da ATI, ironicamente, plantaria a salva\u00e7\u00e3o: as APUs garantiram os contratos de <strong>PlayStation 4 e Xbox One (2013)<\/strong> \u2014 o caixa que manteve as luzes acesas.<\/p>\n<h2>2014: chega Lisa Su<\/h2>\n<p>Em outubro de <strong>2014<\/strong>, a engenheira <strong>Lisa Su<\/strong> (PhD no MIT, veterana de IBM) assumiu o comando com um plano simples de enunciar e brutal de executar: apostar tudo numa arquitetura nova. O resultado foi o <strong>Zen<\/strong>: os <strong>Ryzen<\/strong> chegaram em <strong>2017<\/strong> com ganho de cerca de 52% de IPC sobre a gera\u00e7\u00e3o anterior, e os <strong>EPYC<\/strong> invadiram os servidores. Em <strong>2019<\/strong>, o Zen 2 trouxe o design de <strong>chiplets<\/strong> em 7nm da TSMC \u2014 modularidade que a Intel, presa \u00e0s pr\u00f3prias f\u00e1bricas atrasadas, n\u00e3o conseguia responder.<\/p>\n<h2>2020\u20132026: a virada completa<\/h2>\n<p>Os n\u00fameros contam a virada: em <strong>2022<\/strong> a AMD comprou a <strong>Xilinx por US$ 49 bilh\u00f5es<\/strong> (l\u00edder em FPGAs) e <strong>ultrapassou a Intel em valor de mercado<\/strong> pela primeira vez. O <strong>Steam Deck<\/strong> roda uma APU AMD sob Linux; PS5 e Xbox Series seguem vermelhos; e o <strong>MI300X (2023)<\/strong> colocou a empresa na briga dos aceleradores de IA \u2014 briga dif\u00edcil, como analisamos no post <a href=\"\/en\/2026\/09\/amd-vs-nvidia-fosso-cuda\/\">AMD vs NVIDIA e o fosso do CUDA<\/a>: o hardware vence no papel, mas o software da rival ainda dita o mercado.<\/p>\n<h2>AMD e Linux: melhores amigos<\/h2>\n<p>Se a NVIDIA historicamente atritou com o kernel, a AMD fez o caminho oposto: o driver <strong>amdgpu<\/strong> \u00e9 open source e vive dentro do kernel (\u00e9 rotineiramente o maior bloco de c\u00f3digo de cada release, como no <a href=\"\/en\/2026\/09\/linux-7-3-novidades\/\">7.3<\/a>), o Mesa\/RADV entrega Vulkan de primeira linha e o ROCm \u00e9 aberto. Resultado: para gaming em Linux \u2014 do Steam Deck ao desktop \u2014 a recomenda\u00e7\u00e3o padr\u00e3o da comunidade \u00e9 placa vermelha.<\/p>\n<h2>Timeline<\/h2>\n<ul>\n<li><strong>1\u00ba\/mai\/1969<\/strong> \u2014 Jerry Sanders e sete ex-Fairchild fundam a AMD<\/li>\n<li><strong>1982<\/strong> \u2014 IBM for\u00e7a a Intel a licenciar o x86 para a AMD<\/li>\n<li><strong>1987\u20131995<\/strong> \u2014 Guerra judicial com a Intel; AMD ganha o direito de projetar x86 pr\u00f3prio<\/li>\n<li><strong>1991<\/strong> \u2014 Am386 vende milh\u00f5es<\/li>\n<li><strong>1999<\/strong> \u2014 Athlon (K7) supera a Intel em desempenho<\/li>\n<li><strong>2000<\/strong> \u2014 Primeiro processador de consumo a 1 GHz<\/li>\n<li><strong>2003<\/strong> \u2014 Opteron\/Athlon 64: nasce o x86-64 (AMD64), adotado depois pela pr\u00f3pria Intel<\/li>\n<li><strong>2006<\/strong> \u2014 Compra da ATI por US$ 5,4 bilh\u00f5es<\/li>\n<li><strong>2009<\/strong> \u2014 Vende as f\u00e1bricas; nasce a GlobalFoundries<\/li>\n<li><strong>2011<\/strong> \u2014 Fiasco do Bulldozer<\/li>\n<li><strong>2012<\/strong> \u2014 A\u00e7\u00e3o a ~US$ 2; beira da fal\u00eancia<\/li>\n<li><strong>2013<\/strong> \u2014 APUs no PS4 e Xbox One seguram o caixa<\/li>\n<li><strong>2014<\/strong> \u2014 Lisa Su assume como CEO<\/li>\n<li><strong>2017<\/strong> \u2014 Ryzen (Zen) e EPYC: a volta por cima<\/li>\n<li><strong>2019<\/strong> \u2014 Zen 2: chiplets em 7nm na TSMC<\/li>\n<li><strong>2022<\/strong> \u2014 Compra da Xilinx (US$ 49 bi); ultrapassa a Intel em valor de mercado<\/li>\n<li><strong>2023<\/strong> \u2014 MI300X entra na corrida da IA<\/li>\n<li><strong>2025+<\/strong> \u2014 Zen 5\/6 e a briga pelo datacenter de IA<\/li>\n<\/ul>\n<p>A moral da hist\u00f3ria da AMD cabe numa frase de admin: <em>redund\u00e2ncia importa<\/em> \u2014 a ind\u00fastria inteira se beneficiou de existir uma segunda fonte de x86 brigando por pre\u00e7o e inova\u00e7\u00e3o. Complete a s\u00e9rie com <a href=\"\/en\/2026\/09\/a-historia-da-nvidia\/\">the NVIDIA history<\/a> and <a href=\"\/en\/2026\/09\/a-historia-da-intel\/\">a hist\u00f3ria da Intel<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nenhuma empresa de tecnologia morreu e renasceu tantas vezes quanto a AMD. Fundada em 1969 para viver \u00e0 sombra da Intel, ela passou cinco d\u00e9cadas alternando golpes de g\u00eanio (o Athlon, o x86-64, o Zen) com beiras de abismo \u2014 at\u00e9 que uma engenheira chamada Lisa Su transformou uma a\u00e7\u00e3o de US$ 2 na maior &#8230; <a title=\"A hist\u00f3ria da AMD\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/2026\/09\/a-historia-da-amd\/\" aria-label=\"Read more about A hist\u00f3ria da AMD\">Read more<\/a><\/p>","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,24],"tags":[342,134,349,279,354,355],"class_list":["post-717","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","category-ti","tag-amd","tag-gpu","tag-hardware","tag-historia","tag-ryzen","tag-x86"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/717","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=717"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/717\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":726,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/717\/revisions\/726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}