{"id":514,"date":"2026-09-06T00:34:46","date_gmt":"2026-09-06T03:34:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/2026\/09\/a-historia-do-virtualbox\/"},"modified":"2026-09-08T08:19:41","modified_gmt":"2026-09-08T11:19:41","slug":"a-historia-do-virtualbox","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/2026\/09\/a-historia-do-virtualbox\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria do VirtualBox: o hipervisor do desktop"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Mascote do LinuxPro operando o computador com tr\u00eas sistemas rodando em janelas sobrepostas, com os cubos das m\u00e1quinas virtuais acima\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/virtualbox-historia-v2.webp\" width=\"1052\" height=\"652\" \/><\/p>\n<p>Em 15 de janeiro de 2007 uma GmbH de Weinstadt, na Alemanha, soltou o c\u00f3digo do hipervisor que usava com governo e banco. O produto se chamava VirtualBox. Em um ano passou de quatro milh\u00f5es de downloads; em fevereiro de 2008 a Sun comprou a Innotek; em janeiro de 2010 veio a Oracle. Dezenove anos depois o VirtualBox 7.2.16 (18 de agosto de 2026) ainda \u00e9 o jeito mais comum de rodar Linux no Windows \u2014 e Windows no Linux \u2014 sem pagar VMware.<\/p>\n<p><!-- more --><\/p>\n<h2>Weinstadt, OS\/2 e o Connectix<\/h2>\n<p>A InnoTek Systemberatung GmbH nasceu em 1992, em Stuttgart\/Weinstadt. O neg\u00f3cio original era sistema legado: empresas alem\u00e3s presas em OS\/2 e mainframe IBM. Virtualizar era o \u00fanico jeito de n\u00e3o reescrever tudo. O co-fundador e diretor Achim Hasenmueller veio de desenvolvimento de sistema na IBM. Em 2001 a Innotek entrou de vez na virtualiza\u00e7\u00e3o: co-desenvolveu o Virtual PC e o Virtual Server com a Connectix, depois comprada pela Microsoft. O c\u00f3digo de \u201cadditions\u201d \u2014 clipboard compartilhado, redimensionar a janela do convidado \u2014 nasceu ali, no Virtual PC, e reapareceu no VirtualBox.<\/p>\n<p>O hipervisor pr\u00f3prio come\u00e7ou por volta de 2004, ainda fechado, j\u00e1 rodando em autoridades alem\u00e3s (as workstations SINA usam VirtualBox at\u00e9 hoje). Sem capital de risco. A Innotek vivia de projeto e de licen\u00e7a comercial.<\/p>\n<h2>Janeiro de 2007: o pulo para o GPL<\/h2>\n<p>A vers\u00e3o p\u00fablica saiu em 15 de janeiro de 2007, com conselho da LiSoG (hoje Open Source Business Alliance). Dual license: a Open Source Edition (OSE) em GPLv2, e o bin\u00e1rio completo de gra\u00e7a para uso pessoal e avalia\u00e7\u00e3o (PUEL), pago em implanta\u00e7\u00e3o comercial. Host Windows e Linux 32 bits no come\u00e7o; convidados de DOS a OS\/2, NetWare, Windows e Linux.<\/p>\n<p>Hasenmueller foi direto: a Innotek era pequena demais para o marketing da VMware. Abrir o c\u00f3digo era o \u00fanico jeito de o produto existir fora da Alemanha. Em 2007 a empresa faturou sete d\u00edgitos com o VirtualBox livre. Em fevereiro de 2008, mais de quatro milh\u00f5es de downloads. Sem o GPL, a Sun nem teria visto.<\/p>\n<h2>Sun: xVM VirtualBox<\/h2>\n<p>Em 12 de fevereiro de 2008 a Sun anunciou a compra (fechou no dia 20). Pre\u00e7o n\u00e3o divulgado \u2014 \u201cn\u00e3o material para o EPS\u201d. Jonathan Schwartz estava no auge da onda open source: MySQL sa\u00edra por US$ 1 bilh\u00e3o no m\u00eas anterior. O VirtualBox ia complementar o xVM Server (Xen) no datacenter e levar a marca Sun para o laptop do desenvolvedor, ao lado de OpenSolaris, OpenJDK, GlassFish e NetBeans.<\/p>\n<p>Hasenmueller chamou a Sun de \u201cparceiro dos sonhos\u201d. O produto virou Sun xVM VirtualBox. Host Mac e OpenSolaris sa\u00edram do beta. A comunidade acompanhou. Dois anos depois a Sun acabou.<\/p>\n<h2>Oracle, 2010: um pacote base e um Extension Pack<\/h2>\n<p>A Oracle fechou a compra da Sun em janeiro de 2010. O nome passou a Oracle VM VirtualBox. Em 22 de dezembro de 2010 o 4.0 matou a divis\u00e3o OSE\/PUEL: o produto <em>base<\/em> ficou GPLv2 (instalador, documenta\u00e7\u00e3o, drivers inclusive), e o que era fechado virou o <strong>Extension Pack<\/strong> \u2014 USB 2\/3, RDP, PXE, depois criptografia de disco e NVMe. Quem s\u00f3 quer uma VM Linux no desktop usa o base. Quem precisa de USB 3 e VRDP instala o pack (PUEL: pessoal, educa\u00e7\u00e3o, avalia\u00e7\u00e3o; comercial paga).<\/p>\n<p>Essa arquitetura de licen\u00e7a dura at\u00e9 hoje, com um ajuste: a partir do 7.1 (setembro de 2024) o pacote base \u00e9 <strong>GPLv3<\/strong>, com exce\u00e7\u00e3o de linking para CDDL e outras licen\u00e7as incompat\u00edveis. O Extension Pack continua propriet\u00e1rio.<\/p>\n<h2>O que o VirtualBox ensinou no desktop<\/h2>\n<p>Hipervisor tipo 2: roda em cima do SO do host, n\u00e3o no lugar dele. VT-x \/ AMD-V quando o processador deixa; at\u00e9 o 6.0 ainda havia o caminho por software (CSAM\/PATM, recompilador din\u00e2mico \u00e0 la QEMU para real mode e BIOS). No 6.1 (dezembro de 2019) o software-only caiu \u2014 CPU com virtualiza\u00e7\u00e3o por hardware passou a ser obrigat\u00f3ria.<\/p>\n<p>O resto \u00e9 o que fez o cubo azul virar padr\u00e3o de laborat\u00f3rio:<\/p>\n<ul>\n<li>Guest Additions: v\u00eddeo, pasta compartilhada, mouse integrado, modo seamless.<\/li>\n<li>Disco nativo VDI, e tamb\u00e9m VMDK (VMware) e VHD (Microsoft). OVF\/OVA desde o 2.2 (abril de 2009).<\/li>\n<li>Snapshot da RAM e do disco. Clonagem. Grupos de VM. NAT, bridge, host-only, virtio-net.<\/li>\n<li>API p\u00fablica (Python, Java, XPCOM, SOAP) e <code data-no-translation=\"\">VBoxManage<\/code> para quem n\u00e3o quer GUI.<\/li>\n<\/ul>\n<p>No Linux o KVM\/QEMU \u00e9 o hipervisor \u201cde verdade\u201d do kernel \u2014 tipo 1, no KVM. O VirtualBox nunca competiu com isso no servidor. Competiu no notebook: Windows host, convidado Ubuntu, um clique. Por isso sobreviveu \u00e0 Oracle, \u00e0 morte da Sun e \u00e0 era do container.<\/p>\n<h2>De 5.0 a 7.2: Windows 11, ARM, GPLv3<\/h2>\n<ul>\n<li><strong>5.0<\/strong> (julho de 2015) \u2014 paravirtualiza\u00e7\u00e3o, USB 3, drag-and-drop.<\/li>\n<li><strong>6.0 \/ 6.1<\/strong> (2018\u20132019) \u2014 nested virt (AMD, depois Intel Broadwell+), virtio-scsi, import\/export Oracle Cloud. Fim da virtualiza\u00e7\u00e3o s\u00f3 em software.<\/li>\n<li><strong>7.0<\/strong> (10 de outubro de 2022) \u2014 Windows 11 de verdade: UEFI Secure Boot e TPM 1.2\/2.0 emulados, IOMMU, criptografia da VM inteira, DirectX 11 \/ DXVK. ARM Apple ainda experimental.<\/li>\n<li><strong>7.1<\/strong> (9 de setembro de 2024) \u2014 virtualiza\u00e7\u00e3o ARM em host Apple silicon (Linux e BSD de convidado). NAT IPv6. Clipboard Wayland. Base em GPLv3.<\/li>\n<li><strong>7.2<\/strong> (14 de agosto de 2025) \u2014 Windows 11 ARM como convidado em host ARM (macOS ou Windows 11). NVMe saiu do Extension Pack e entrou no bin\u00e1rio livre. 3D em Mac ARM via DXMT. Em 20 de janeiro de 2026 o 7.2.6 abriu tamb\u00e9m criptografia de disco\/VM, servidor VRDP e emula\u00e7\u00e3o de smartcard USB \u2014 o que era fechado virou fonte.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O 7.2.10 (junho de 2026) ganhou suporte inicial ao kernel Linux 7.1. O 7.2.16 saiu em 18 de agosto de 2026. Host Linux no site da Oracle vai de Ubuntu 22.04 at\u00e9 26.04 (Resolute), Debian 11\u201313, Fedora e openSUSE.<\/p>\n<h2>O Extension Pack, ainda<\/h2>\n<p>USB 2\/3 completo, PXE da Intel, e o que a Oracle ainda n\u00e3o devolveu ao GPL continuam no pack. PUEL: uma m\u00e1quina, uso n\u00e3o comercial. Empresa compra Named Workstation. Confundir \u201c\u00e9 de gra\u00e7a no download\u201d com \u201cposso empilhar no laborat\u00f3rio da firma\u201d \u00e9 o jeito cl\u00e1ssico de tomar susto no compliance. O bin\u00e1rio base, GPLv3, pode redistribuir \u2014 o pack, n\u00e3o, sem contrato.<\/p>\n<h2>Linha do tempo<\/h2>\n<ul>\n<li><strong>1992<\/strong> \u2014 em Weinstadt, na Alemanha, a innotek come\u00e7a o trabalho de virtualiza\u00e7\u00e3o que daria origem ao produto.<\/li>\n<li><strong>15 de janeiro de 2007<\/strong> \u2014 o VirtualBox \u00e9 liberado sob GPL: virtualiza\u00e7\u00e3o de desktop de qualidade vira software livre.<\/li>\n<li><strong>12 de fevereiro de 2008<\/strong> \u2014 a Sun Microsystems compra a innotek; o produto vira xVM VirtualBox.<\/li>\n<li><strong>22 de dezembro de 2010<\/strong> \u2014 j\u00e1 sob a Oracle, o pacote se divide entre base livre e <strong>Extension Pack<\/strong> de licen\u00e7a restrita.<\/li>\n<li><strong>6.0 e 6.1<\/strong> \u2014 interface redesenhada e ganhos de desempenho no desktop.<\/li>\n<li><strong>10 de outubro de 2022<\/strong> \u2014 a 7.0 traz TPM e Secure Boot, o que destrava o Windows 11 como convidado.<\/li>\n<li><strong>9 de setembro de 2024<\/strong> \u2014 7.1, com suporte experimental a hospedeiro ARM.<\/li>\n<li><strong>14 de agosto de 2025<\/strong> \u2014 a 7.2 consolida a linha atual.<\/li>\n<li><strong>20 de janeiro de 2026<\/strong> \u2014 o n\u00facleo passa a <strong>GPLv3<\/strong>.<\/li>\n<li><strong>18 de agosto de 2026<\/strong> \u2014 \u00faltima manuten\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>E o Linux nisso<\/h2>\n<p>No servidor, KVM. No desktop, o cubo ainda resolve o caso que o libvirt deixa chato: um Windows no Fedora, um Debian velho no Ubuntu, um snapshot antes de atualizar o kernel. Para levar a VM embora, OVA. Para pousar em XCP-ng \/ XenServer, o caminho que documentamos em <a href=\"\/es\/2026\/09\/ova2xva\/\">ova2xva<\/a> \u2014 sem <code data-no-translation=\"\">xe<\/code>.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria maior \u2014 UNIX, o kernel, o desktop \u2014 est\u00e1 em <a href=\"\/es\/2017\/06\/a-historia-dos-sistemas-operacionais\/\">A Hist\u00f3ria dos Sistemas Operacionais<\/a>, <a href=\"\/es\/2026\/09\/a-historia-de-linus-torvalds\/\">A hist\u00f3ria de Linus Torvalds<\/a> e <a href=\"\/es\/2026\/09\/linux-35-anos\/\">Linux faz 35 anos<\/a>.<\/p>\n<p>De Weinstadt a Redwood: o VirtualBox continua o hipervisor que cabe no laptop. 7.2.16, GPLv3 no base, ARM no Mac, kernel 7.1 no guest. O cubo azul ainda gira.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 15 de janeiro de 2007 uma GmbH de Weinstadt, na Alemanha, soltou o c\u00f3digo do hipervisor que usava com governo e banco. O produto se chamava VirtualBox. Em um ano passou de quatro milh\u00f5es de downloads; em fevereiro de 2008 a Sun comprou a Innotek; em janeiro de 2010 veio a Oracle. Dezenove anos &#8230; <a title=\"A hist\u00f3ria do VirtualBox: o hipervisor do desktop\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/2026\/09\/a-historia-do-virtualbox\/\" aria-label=\"Read more about A hist\u00f3ria do VirtualBox: o hipervisor do desktop\">Read more<\/a><\/p>","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,2,111],"tags":[210,208,209,206,207,140,138],"class_list":["post-514","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-infra","category-linux","category-opensource","tag-hypervisor","tag-innotek","tag-kvm","tag-oracle","tag-sun","tag-virtualbox","tag-virtualizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/514","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=514"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/514\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1179,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/514\/revisions\/1179"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=514"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=514"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=514"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}