{"id":704,"date":"2026-09-06T15:22:57","date_gmt":"2026-09-06T18:22:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/2026\/09\/a-historia-da-hp\/"},"modified":"2026-09-08T08:29:11","modified_gmt":"2026-09-08T11:29:11","slug":"a-historia-da-hp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/2026\/09\/a-historia-da-hp\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria da HP"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Mascote do LinuxPro medindo uma placa com o oscilosc\u00f3pio na bancada da garagem, com a impressora e o servidor do outro lado\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/hp-historia-v2.webp\" width=\"1052\" height=\"652\" \/><\/p>\n<p>Antes de existir &#8220;Vale do Sil\u00edcio&#8221;, existia uma garagem de madeira em Palo Alto. Ali, em 1939, dois engenheiros rec\u00e9m-formados de Stanford fundaram a empresa que definiria o modelo de todas as startups seguintes: a <strong>Hewlett-Packard<\/strong>. Esta \u00e9 a hist\u00f3ria da HP \u2014 da garagem ao colosso, das calculadoras que aposentaram a r\u00e9gua de c\u00e1lculo \u00e0s impressoras em cada escrit\u00f3rio, passando por fus\u00f5es desastrosas e pela cis\u00e3o que a dividiu em duas.<\/p>\n<h2>1939: a garagem e o cara-ou-coroa<\/h2>\n<p><strong>Bill Hewlett e Dave Packard<\/strong> come\u00e7aram com US$ 538 e uma garagem alugada na Addison Avenue \u2014 hoje tombada como &#8220;ber\u00e7o do Vale do Sil\u00edcio&#8221;. A ordem dos nomes? Decidida no <strong>cara-ou-coroa<\/strong>: deu Hewlett-Packard em vez de Packard-Hewlett. O primeiro produto foi o <strong>oscilador de \u00e1udio HP 200A<\/strong>, mais barato e est\u00e1vel que a concorr\u00eancia \u2014 e o primeiro grande cliente foi a <strong>Disney<\/strong>, que comprou oito unidades para calibrar o som do filme <em>Fantasia<\/em>.<\/p>\n<h2>O &#8220;HP Way&#8221;<\/h2>\n<p>Nas d\u00e9cadas seguintes, a HP cresceu vendendo instrumentos de medi\u00e7\u00e3o de excel\u00eancia \u2014 oscilosc\u00f3pios, geradores de sinal, analisadores. Mas sua exporta\u00e7\u00e3o mais influente foi cultural: o <strong>HP Way<\/strong>, um estilo de gest\u00e3o radical para a \u00e9poca \u2014 confian\u00e7a nos funcion\u00e1rios, hor\u00e1rio flex\u00edvel, participa\u00e7\u00e3o nos lucros, portas abertas e a regra de &#8220;gerenciar andando por a\u00ed&#8221;. Boa parte do que o Vale do Sil\u00edcio vende como cultura pr\u00f3pria nasceu ali.<\/p>\n<h2>Da calculadora ao computador<\/h2>\n<p class=\"translation-block\">Em <strong>1968<\/strong>, a HP lan\u00e7ou o <strong>9100A<\/strong>, uma \u201ccalculadora de mesa\u201d program\u00e1vel que a imprensa chamou de <em>personal computer<\/em> \u2014 possivelmente o primeiro uso comercial do termo. Em <strong>1972<\/strong> veio o golpe de miseric\u00f3rdia na r\u00e9gua de c\u00e1lculo: a <strong>HP-35<\/strong>, primeira calculadora cient\u00edfica de bolso do mundo. No mesmo ano a empresa entrou nos minicomputadores com o HP 3000, e nos anos 80 desenvolveu sua pr\u00f3pria arquitetura RISC, o <strong>PA-RISC<\/strong>, e o Unix pr\u00f3prio, o <strong>HP-UX<\/strong> \u2014 que por d\u00e9cadas rodou miss\u00e3o cr\u00edtica em bancos e telecoms (e cujo fim de vida oficial veio apenas nos anos 2020).<\/p>\n<h2>1984: o imp\u00e9rio da tinta<\/h2>\n<p>Se a HP fosse s\u00f3 impressoras, j\u00e1 seria gigante. Em <strong>1984<\/strong> ela lan\u00e7ou a <strong>LaserJet<\/strong> \u2014 a primeira impressora laser de mesa de sucesso \u2014 e a ThinkJet, pioneira do jato de tinta t\u00e9rmico. O modelo de neg\u00f3cio &#8220;impressora barata, tinta cara&#8221; virou uma das m\u00e1quinas de lucro mais duradouras da tecnologia. Para n\u00f3s do Linux, ficou um legado curioso e positivo: o <strong>HPLIP<\/strong>, driver open source oficial da HP, fez das impressoras HP historicamente as mais amigas do pinguim.<\/p>\n<h2>Anos 2000: fus\u00f5es, esc\u00e2ndalos e desastres<\/h2>\n<p>A era moderna foi turbulenta. Em <strong>1999<\/strong>, os instrumentos de medi\u00e7\u00e3o \u2014 a alma original \u2014 sa\u00edram como <strong>Agilent<\/strong> (hoje Keysight). Em <strong>2002<\/strong>, Carly Fiorina comprou a <strong>Compaq<\/strong> por US$ 19 bilh\u00f5es numa fus\u00e3o contestada at\u00e9 por herdeiros dos fundadores. Em <strong>2006<\/strong>, o esc\u00e2ndalo de espionagem do pr\u00f3prio conselho derrubou a presidente do board. E em <strong>2011<\/strong> veio o ano do caos: a HP matou o <strong>TouchPad e o webOS<\/strong> semanas ap\u00f3s o lan\u00e7amento e comprou a brit\u00e2nica <strong>Autonomy por US$ 11 bilh\u00f5es<\/strong> \u2014 para dar baixa de US$ 8,8 bilh\u00f5es um ano depois, alegando fraude cont\u00e1bil. O caso rendeu processos por mais de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<h2>2015: uma HP vira duas<\/h2>\n<p>Em novembro de <strong>2015<\/strong>, a empresa se partiu ao meio: a <strong>HP Inc.<\/strong> ficou com PCs e impressoras (e o ticker hist\u00f3rico HPQ), enquanto a <strong>Hewlett Packard Enterprise (HPE)<\/strong> levou servidores, storage, redes e servi\u00e7os. A HPE seguiu comprando peso do mundo Unix\/HPC \u2014 <strong>SGI em 2016, Cray em 2019<\/strong> \u2014 e hoje monta alguns dos maiores supercomputadores do planeta (o Frontier e o El Capitan, primeiros exascale, s\u00e3o m\u00e1quinas HPE Cray rodando Linux). Do lado da HP Inc., os ProBooks e Spectres seguem entre os notebooks mais vendidos do mundo.<\/p>\n<h2>A HP e o Linux<\/h2>\n<p>Nenhuma empresa desta s\u00e9rie tem uma rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o dividida com o software livre. De um lado, a HP passou trinta anos defendendo um Unix propriet\u00e1rio que acabou de morrer. Do outro, \u00e9 a fabricante que melhor trata o usu\u00e1rio de Linux no mundo \u2014 e por um motivo que ningu\u00e9m espera: a impressora.<\/p>\n<h3>HP-UX e o naufr\u00e1gio do Itanium<\/h3>\n<p>Nos anos 1980 a HP criou a arquitetura <strong>PA-RISC<\/strong> e, sobre ela, o <strong>HP-UX<\/strong> \u2014 seu pr\u00f3prio Unix, que sustentou banco, telecom e ERP por d\u00e9cadas. Nos anos 2000, junto com a Intel, apostou tudo no sucessor: o <strong>Itanium<\/strong>, arquitetura de 64 bits que deveria enterrar o x86.<\/p>\n<p>N\u00e3o enterrou. O AMD64 venceu, o Itanium virou piada de mercado \u2014 &#8220;Itanic&#8221; \u2014 e a plataforma passou a agonizar por vinte anos. A briga mais famosa foi jur\u00eddica: em 2011 a Oracle anunciou que pararia de portar seu banco de dados para Itanium, a HP processou, a <strong>Oracle perdeu em 2012<\/strong> \u2014 a corte a obrigou a continuar portando enquanto a HP vendesse a plataforma \u2014 e em 2016 a HP ganhou <strong>US$ 3 bilh\u00f5es<\/strong> em indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ganhar o processo n\u00e3o salvou a arquitetura. O suporte ao HP-UX 11i v3 e aos servidores Integrity com Itanium terminou em <strong>31 de dezembro de 2025<\/strong>. Encerra-se a\u00ed a linhagem de Unix propriet\u00e1rio da HP. O que a empresa vende hoje em servidor roda Linux \u2014 do ProLiant de rack ao supercomputador exascale.<\/p>\n<h3>Por que a impressora HP \u00e9 a que funciona no Linux<\/h3>\n<p>Esta \u00e9 a parte pr\u00e1tica, e \u00e9 a raz\u00e3o de a HP ter fama boa entre quem usa Linux no desktop.<\/p>\n<p>Desde 2001 a HP mant\u00e9m o <strong>HPLIP<\/strong> \u2014 <em>HP Linux Imaging and Printing<\/em> \u2014, um conjunto completo de drivers de impress\u00e3o e digitaliza\u00e7\u00e3o, <strong>de c\u00f3digo aberto<\/strong> (GPL, MIT e BSD) e desenvolvido pela pr\u00f3pria empresa. N\u00e3o \u00e9 um driver largado num FTP: a vers\u00e3o <strong>3.26.4<\/strong> saiu em maio de 2026 e o pacote cobre cerca de <strong>3.490 modelos<\/strong> de impressora, scanner e fax.<\/p>\n<p class=\"translation-block\">Compare com o hist\u00f3rico da concorr\u00eancia \u2014 driver bin\u00e1rio desatualizado, scanner que nunca funcionou, multifuncional que imprime mas n\u00e3o digitaliza \u2014 e entende-se por que a recomenda\u00e7\u00e3o de \u201ccompre HP\u201d circula h\u00e1 vinte anos nos f\u00f3runs de Linux.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, quase sempre voc\u00ea n\u00e3o precisa fazer nada: a distribui\u00e7\u00e3o j\u00e1 traz o HPLIP e a impressora \u00e9 detectada sozinha. Quando n\u00e3o vier:<\/p>\n<pre data-no-translation=\"\"><code class=\"language-bash\" data-no-translation=\"\"># Debian e Ubuntu\nsudo apt install -y hplip hplip-gui\n\n# Fedora e RHEL\nsudo dnf install -y hplip hplip-gui\n\n# adicionar o dispositivo (assistente gr\u00e1fico)\nhp-setup -i          # modo interativo no terminal\nhp-setup            # interface gr\u00e1fica\n\n# diagnosticar quando algo n\u00e3o vai\nhp-check -t\nhp-toolbox          # n\u00edvel de tinta, limpeza, alinhamento<\/code><\/pre>\n<p>Para digitalizar, o HPLIP se integra ao SANE \u2014 <code data-no-translation=\"\">scanimage -L<\/code> lista o aparelho e qualquer front-end gr\u00e1fico funciona. E, para modelos recentes, muitas vezes nem isso \u00e9 preciso: o padr\u00e3o <strong>IPP Everywhere<\/strong> faz a impressora funcionar sem driver nenhum.<\/p>\n<h3>ProLiant, iLO e o supercomputador<\/h3>\n<p class=\"translation-block\">Do lado do servidor, a heran\u00e7a da Compaq deu \u00e0 HPE a linha <strong>ProLiant<\/strong>, presente em praticamente todo datacenter \u2014 e o <strong>iLO<\/strong>, controlador de ger\u00eancia remota que definiu o padr\u00e3o que os concorrentes copiaram (a Dell com o iDRAC, a Lenovo com o XCC). Se voc\u00ea j\u00e1 ligou um servidor pela rede com ele fisicamente desligado, agrade\u00e7a a esse chip.<\/p>\n<p>E no topo da escala: os supercomputadores <strong>Frontier<\/strong> e <strong>El Capitan<\/strong>, os primeiros a passar da barreira exascale, s\u00e3o m\u00e1quinas HPE Cray. Ambos rodam Linux, como <a href=\"\/es\/2026\/09\/linux-35-anos\/\">praticamente todo o TOP500<\/a>.<\/p>\n<h2>Linha do tempo<\/h2>\n<ul>\n<li><strong>1939<\/strong> \u2014 Hewlett e Packard fundam a HP na garagem de Palo Alto; oscilador HP 200A (a Disney compra 8 para <em>Fantasia<\/em>)<\/li>\n<li><strong>1968<\/strong> \u2014 HP 9100A, a &#8220;calculadora de mesa&#8221; program\u00e1vel<\/li>\n<li><strong>1972<\/strong> \u2014 HP-35, primeira calculadora cient\u00edfica de bolso<\/li>\n<li><strong>anos 1980<\/strong> \u2014 Arquitetura PA-RISC e o Unix pr\u00f3prio, HP-UX<\/li>\n<li><strong>1984<\/strong> \u2014 LaserJet e ThinkJet: o imp\u00e9rio da impress\u00e3o<\/li>\n<li><strong>1999<\/strong> \u2014 Instrumentos de medi\u00e7\u00e3o saem como Agilent<\/li>\n<li><strong>2002<\/strong> \u2014 Compra da Compaq (US$ 19 bilh\u00f5es)<\/li>\n<li><strong>2011<\/strong> \u2014 Fim do TouchPad\/webOS; compra da Autonomy (US$ 11 bilh\u00f5es)<\/li>\n<li><strong>2015<\/strong> \u2014 Cis\u00e3o em HP Inc. (PCs\/impressoras) e HPE (servidores\/servi\u00e7os)<\/li>\n<li><strong>2016\u20132019<\/strong> \u2014 HPE compra SGI e Cray<\/li>\n<li><strong>anos 2020<\/strong> \u2014 Supercomputadores exascale HPE Cray (Frontier, El Capitan) rodando Linux<\/li>\n<\/ul>\n<h2>O legado<\/h2>\n<p>Para o mundo Linux e da infraestrutura, a HP est\u00e1 por toda parte: os servidores <strong>ProLiant<\/strong> (heran\u00e7a Compaq) est\u00e3o em qualquer datacenter, o iLO definiu o padr\u00e3o de ger\u00eancia remota, e supercomputa\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 praticamente sin\u00f4nimo de HPE Cray + Linux. Mas o maior legado talvez seja o simb\u00f3lico: toda startup que come\u00e7a em garagem, com cultura de engenheiro e gest\u00e3o horizontal, est\u00e1 \u2014 saiba ou n\u00e3o \u2014 imitando dois caras de Palo Alto em 1939.<\/p>\n<p class=\"translation-block\">Complete a trilogia dos chips e do hardware com <a href=\"\/es\/2026\/09\/a-historia-da-intel\/\">a hist\u00f3ria da Intel<\/a> \u2014 parceira da HP no Itanium \u2014, <a href=\"\/es\/2026\/09\/a-historia-da-amd\/\">da AMD<\/a>, cujo AMD64 venceu aquela disputa, <a href=\"\/es\/2026\/09\/a-historia-da-nvidia\/\">da NVIDIA<\/a> e <a href=\"\/es\/2026\/09\/a-historia-da-dell\/\">da Dell<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de existir &#8220;Vale do Sil\u00edcio&#8221;, existia uma garagem de madeira em Palo Alto. Ali, em 1939, dois engenheiros rec\u00e9m-formados de Stanford fundaram a empresa que definiria o modelo de todas as startups seguintes: a Hewlett-Packard. Esta \u00e9 a hist\u00f3ria da HP \u2014 da garagem ao colosso, das calculadoras que aposentaram a r\u00e9gua de c\u00e1lculo &#8230; <a title=\"A hist\u00f3ria da HP\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/2026\/09\/a-historia-da-hp\/\" aria-label=\"Read more about A hist\u00f3ria da HP\">Read more<\/a><\/p>","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,24],"tags":[349,279,347,348,350,72],"class_list":["post-704","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","category-ti","tag-hardware","tag-historia","tag-hp","tag-hpe","tag-impressoras","tag-servidores"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/704","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=704"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/704\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1196,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/704\/revisions\/1196"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=704"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=704"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=704"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}