{"id":718,"date":"2026-09-06T15:53:12","date_gmt":"2026-09-06T18:53:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/2026\/09\/a-historia-da-intel\/"},"modified":"2026-09-06T16:00:38","modified_gmt":"2026-09-06T19:00:38","slug":"a-historia-da-intel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/2026\/09\/a-historia-da-intel\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria da Intel"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/capa-a-historia-da-intel.webp\" alt=\"A hist\u00f3ria da Intel\" width=\"1020\" height=\"620\" \/><\/p>\n<p class=\"translation-block\">A Intel inventou o mercado de mem\u00f3ria, depois o abandonou; inventou o microprocessador quase por acaso; colocou \u201cIntel Inside\u201d em cada escrit\u00f3rio do planeta; e ent\u00e3o perdeu \u2014 em sequ\u00eancia \u2014 o celular, a Apple e a lideran\u00e7a em fabrica\u00e7\u00e3o que a definia. Poucas empresas explicam tanto da hist\u00f3ria da computa\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a trajet\u00f3ria da Intel, dos \u201coito traidores\u201d \u00e0 crise existencial dos anos 2020, com datas na mesa.<\/p>\n<h2>1968: os fundadores que j\u00e1 eram lenda<\/h2>\n<p class=\"translation-block\">Em <strong>18 de julho de 1968<\/strong>, <strong>Robert Noyce<\/strong> (coinventor do circuito integrado) e <strong>Gordon Moore<\/strong> (autor da Lei de Moore, formulada em 1965) deixaram a Fairchild \u2014 empresa que eles mesmos haviam criado ao abandonar William Shockley em 1957, no epis\u00f3dio dos <em>\u201coito traidores\u201d<\/em> \u2014 para fundar a empresa que semanas depois adotaria o nome <strong>Int<\/strong>egrated <strong>El<\/strong>ectronics \u2014 Intel (a incorpora\u00e7\u00e3o inicial foi como NM Electronics). O funcion\u00e1rio n\u00famero 3 era um imigrante h\u00fangaro chamado <strong>Andy Grove<\/strong>, que se tornaria o gestor mais influente do Vale do Sil\u00edcio.<\/p>\n<h2>1971: o microprocessador nasce de uma calculadora<\/h2>\n<p>A Intel come\u00e7ou vendendo mem\u00f3ria (a SRAM 3101 em 1969, a DRAM 1103 em 1970). O produto que mudaria o mundo veio de uma encomenda: a japonesa Busicom pediu 12 chips para uma calculadora, e <strong>Ted Hoff, Federico Faggin e Stan Mazor<\/strong> os condensaram em um s\u00f3. Em <strong>novembro de 1971<\/strong> nascia o <strong>Intel 4004<\/strong> \u2014 o primeiro microprocessador comercial: 2.300 transistores, 4 bits, 740 kHz. A Intel teve o bom senso de recomprar os direitos da Busicom.<\/p>\n<h2>1978\u20131981: o x86 e a sorte grande do IBM PC<\/h2>\n<p>O <strong>8086 (1978)<\/strong> inaugurou a arquitetura x86 que roda at\u00e9 hoje no seu servidor; a variante econ\u00f4mica <strong>8088<\/strong> foi escolhida pela IBM para o <strong>IBM PC de 1981<\/strong> \u2014 o bilhete de loteria premiado da hist\u00f3ria da computa\u00e7\u00e3o. Com a exig\u00eancia da IBM de segunda fonte, a Intel licenciou o x86 para a AMD em 1982, plantando a rivalidade de meio s\u00e9culo que contamos na <a href=\"\/es\/2026\/09\/a-historia-da-amd\/\">hist\u00f3ria da AMD<\/a>.<\/p>\n<h2>1985: a decis\u00e3o de Grove<\/h2>\n<p>Esmagada pelas fabricantes japonesas de mem\u00f3ria, a Intel viveu sua primeira crise existencial. A cena \u00e9 cl\u00e1ssica: Grove perguntou a Moore <em>&#8220;se f\u00f4ssemos demitidos e a diretoria trouxesse um CEO novo, o que ele faria?&#8221;<\/em>. Resposta: sairia das mem\u00f3rias. Foi o que fizeram \u2014 a Intel <strong>abandonou a DRAM que ela pr\u00f3pria inventara<\/strong> e apostou tudo em processadores. O <strong>386 (1985)<\/strong>, de 32 bits, e o <strong>486 (1989)<\/strong> selaram a decis\u00e3o como a mais acertada da hist\u00f3ria da empresa.<\/p>\n<h2>1991\u20132005: Pentium, o bug de US$ 475 milh\u00f5es e os trope\u00e7os<\/h2>\n<p class=\"translation-block\">O <strong>Pentium (1993)<\/strong> e o marketing \u201cIntel Inside\u201d (1991) transformaram um componente invis\u00edvel em marca de consumo. Nem tudo foi gl\u00f3ria: o <strong>bug FDIV (1994)<\/strong> \u2014 divis\u00f5es de ponto flutuante erradas \u2014 custou um recall de <strong>US$ 475 milh\u00f5es<\/strong> e uma li\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Nos anos 2000 vieram os trope\u00e7os de arquitetura: o <strong>Pentium 4\/NetBurst<\/strong> perseguindo GHz a qualquer custo (e esquentando como fog\u00e3o), e o <strong>Itanium<\/strong> \u2014 a aposta de 64 bits com a HP que ignorava a compatibilidade x86 e acabou atropelada pelo AMD64. A recupera\u00e7\u00e3o veio do time de Israel com o <strong>Centrino (2003)<\/strong> e a arquitetura <strong>Core (2006)<\/strong>, que retomou a coroa de desempenho por uma d\u00e9cada.<\/p>\n<h2>2007\u20132020: as tr\u00eas oportunidades perdidas<\/h2>\n<p>O decl\u00ednio n\u00e3o veio de um golpe, mas de tr\u00eas apostas recusadas: a Intel <strong>recusou fazer o chip do iPhone<\/strong> (2007, por margem baixa \u2014 Otellini admitiria o erro publicamente); perdeu a d\u00e9cada de 2010 patinando na transi\u00e7\u00e3o para <strong>10nm<\/strong> enquanto a TSMC disparava; e em <strong>2020<\/strong> viu a Apple trocar seus processadores pelo <strong>M1<\/strong> pr\u00f3prio. No meio do caminho, <strong>Meltdown e Spectre (divulgados em 2018)<\/strong> expuseram vulnerabilidades de execu\u00e7\u00e3o especulativa que atingiram em cheio seus chips \u2014 e renderam anos de mitiga\u00e7\u00f5es no kernel Linux.<\/p>\n<h2>2021\u20132026: a reconstru\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>En <strong>2021<\/strong>, o veterano <strong>Pat Gelsinger<\/strong> voltou como CEO com o plano <strong>IDM 2.0<\/strong>: virar foundry para terceiros e recuperar a lideran\u00e7a de processo com a litografia High-NA EUV. A execu\u00e7\u00e3o custou caro \u2014 preju\u00edzos hist\u00f3ricos, cortes em massa \u2014 e em <strong>dezembro de 2024<\/strong> Gelsinger saiu. Sob <strong>Lip-Bu Tan<\/strong>, com aporte bilion\u00e1rio do governo americano (o CHIPS Act virando participa\u00e7\u00e3o acion\u00e1ria em 2025), a Intel luta para provar que ainda \u00e9 estrat\u00e9gica: os Xeon seguem em metade dos datacenters, os processos 18A\/14A s\u00e3o a aposta de volta ao topo, e o x86 \u2014 agora numa alian\u00e7a in\u00e9dita de colabora\u00e7\u00e3o com a AMD \u2014 defende territ\u00f3rio contra o ARM.<\/p>\n<h2>Intel e Linux: a aliada de sempre<\/h2>\n<p class=\"translation-block\">No nosso quintal, a Intel sempre foi das melhores cidad\u00e3s: historicamente uma das <strong>maiores contribuidoras corporativas do kernel<\/strong>, com drivers de rede, gr\u00e1ficos e storage abertos d\u00e9cadas antes de virar moda \u2014 de <code>e1000<\/code> a <code>i915<\/code>, quem administra Linux conhece seus m\u00f3dulos de cor. Meltdown\/Spectre tamb\u00e9m mostraram o outro lado da moeda: quando o sil\u00edcio falha, \u00e9 o kernel que paga a conta das mitiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2>Linha do tempo<\/h2>\n<ul>\n<li><strong>1957<\/strong> \u2014 Os &#8220;oito traidores&#8221; deixam Shockley e fundam a Fairchild<\/li>\n<li><strong>18\/jul\/1968<\/strong> \u2014 Noyce e Moore fundam a Intel; Grove \u00e9 o funcion\u00e1rio n\u00ba 3<\/li>\n<li><strong>1970<\/strong> \u2014 DRAM 1103, primeira mem\u00f3ria din\u00e2mica de sucesso comercial<\/li>\n<li><strong>nov\/1971<\/strong> \u2014 Intel 4004, o primeiro microprocessador comercial<\/li>\n<li><strong>1978<\/strong> \u2014 8086: nasce o x86<\/li>\n<li><strong>1981<\/strong> \u2014 IBM PC adota o 8088<\/li>\n<li><strong>1985<\/strong> \u2014 Intel abandona as mem\u00f3rias; lan\u00e7a o 386 de 32 bits<\/li>\n<li class=\"translation-block\"><strong>1991<\/strong> \u2014 Campanha \u201cIntel Inside\u201d<\/li>\n<li><strong>1993<\/strong> \u2014 Pentium<\/li>\n<li><strong>1994<\/strong> \u2014 Bug FDIV: recall de US$ 475 milh\u00f5es<\/li>\n<li><strong>2003<\/strong> \u2014 Centrino populariza o Wi-Fi no notebook<\/li>\n<li><strong>2006<\/strong> \u2014 Arquitetura Core: retomada do desempenho<\/li>\n<li><strong>2007<\/strong> \u2014 Recusa o chip do iPhone<\/li>\n<li><strong>2015\u20132019<\/strong> \u2014 Atolada nos 10nm; TSMC assume a dianteira<\/li>\n<li><strong>2018<\/strong> \u2014 Meltdown e Spectre v\u00eam a p\u00fablico<\/li>\n<li><strong>2020<\/strong> \u2014 Apple troca Intel pelo M1<\/li>\n<li><strong>2021<\/strong> \u2014 Pat Gelsinger e o plano IDM 2.0 (foundry)<\/li>\n<li><strong>dez\/2024<\/strong> \u2014 Gelsinger sai; crise aberta<\/li>\n<li><strong>2025+<\/strong> \u2014 Governo americano vira acionista; aposta nos processos 18A\/14A<\/li>\n<\/ul>\n<p>A Intel \u00e9 o lembrete de que nenhum fosso \u00e9 eterno \u2014 nem o de quem literalmente fabricou a Lei de Moore. Complete a trilogia dos chips com <a href=\"\/es\/2026\/09\/a-historia-da-nvidia\/\">la historia de NVIDIA<\/a> e <a href=\"\/es\/2026\/09\/a-historia-da-amd\/\">a hist\u00f3ria da AMD<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Intel inventou o mercado de mem\u00f3ria, depois o abandonou; inventou o microprocessador quase por acaso; colocou &#8220;Intel Inside&#8221; em cada escrit\u00f3rio do planeta; e ent\u00e3o perdeu \u2014 em sequ\u00eancia \u2014 o celular, a Apple e a lideran\u00e7a em fabrica\u00e7\u00e3o que a definia. Poucas empresas explicam tanto da hist\u00f3ria da computa\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a trajet\u00f3ria &#8230; <a title=\"A hist\u00f3ria da Intel\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/2026\/09\/a-historia-da-intel\/\" aria-label=\"Read more about A hist\u00f3ria da Intel\">Read more<\/a><\/p>","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25,24],"tags":[349,279,356,357,355],"class_list":["post-718","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","category-ti","tag-hardware","tag-historia","tag-intel","tag-processadores","tag-x86"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/718","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=718"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/718\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":727,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/718\/revisions\/727"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=718"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=718"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.linuxpro.com.br\/es\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=718"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}