Certificação RHCSA: o passaporte para o mundo Red Hat

Capa: Tux de chapéu fedora vermelho diante de servidores corporativos Red Hat

A RHCSA (Red Hat Certified System Administrator) é a certificação Linux mais pedida em vagas corporativas no Brasil — bancos, telecom, governo e grandes empresas rodam Red Hat Enterprise Linux, e o selo da Red Hat é o filtro de RH mais comum para sysadmin pleno. Este post integra nossa série sobre certificações Linux — veja também LPIC-1, LFCS e CompTIA Linux+.

Como funciona o exame

O exame EX200 é 100% prático: cerca de 3 horas em máquinas RHEL reais, resolvendo tarefas de administração — sem múltipla escolha e sem acesso à internet (só a documentação instalada no sistema). Pode ser feito presencialmente ou no formato remoto individual. A certificação vale por 3 anos e a versão atual do exame acompanha o RHEL 9/10 — confira a versão vigente ao agendar. Um detalhe que assusta: se a tarefa pede um servidor que sobreviva ao reboot e você esquece o --permanent ou o fstab, perdeu os pontos — o ambiente é reiniciado durante a correção.

O que você precisa dominar

  • Ferramentas essenciais: shell, redirecionamentos, grep e expressões regulares, links, compactação, edição com vim;
  • Shell script: scripts simples com condicionais, loops e processamento de argumentos;
  • Operar sistemas em execução: boot, targets do systemd, interromper e recuperar o processo de boot (inclusive resetar senha de root), processos, tuned, logs com journalctl;
  • Armazenamento local: particionamento, LVM (criar, estender), montagem persistente por UUID/label, swap;
  • Sistemas de arquivos: ext4/xfs, NFS com autofs, permissões especiais (SUID/SGID/sticky), ACLs;
  • Instalar e manter: dnf, repositórios, módulos, cron/at, atualização de kernel;
  • Redes: nmcli, hostname, resolução de nomes, firewalld;
  • Usuários e grupos: contas, senhas e política de expiração, sudo;
  • Segurança — o coração do exame: SELinux de verdade (modos, contextos, booleans, portas, restaurar contexto), SSH com chaves;
  • Containers: rodar e gerenciar containers com podman, inclusive como serviço systemd de usuário.

Como treinar

Monte um laboratório idêntico ao da prova: a Red Hat oferece a assinatura gratuita Red Hat Developer, que permite baixar o RHEL de verdade sem custo. Crie duas VMs (servidor + cliente NFS) e simule tarefas completas com reboot no final para conferir persistência:

# o teste que reprova metade dos candidatos: sobrevive ao reboot?
firewall-cmd --add-service=http --permanent && firewall-cmd --reload
semanage port -a -t http_port_t -p tcp 8080
systemctl enable --now httpd
reboot
# depois do boot: tudo de pé?
systemctl is-active httpd && firewall-cmd --list-services

Não decore comandos soltos: treine cenários (“monte um volume LVM de 2 GB em /dados persistente”, “libere a porta 8080 no SELinux e no firewall”) até resolver cada um em minutos, sem consultar nada.

Por onde começar

Se o seu terminal ainda engatinha, comece pela base em português com o curso de Linux do Gabriel (Toca do Tux) — terminal, pacotes, permissões, LVM, redes e systemd são justamente o alicerce que o EX200 pressupõe. Com a base firme, parta para o laboratório RHEL e treine os tópicos específicos (SELinux, firewalld, podman) até a fluência.

A RHCSA é a prova em que ninguém “passa raspando por sorte” — e é exatamente por isso que ela vale tanto no currículo. 🐧