Certificação LPIC-2: redes e serviços no nível pleno

Capa: Tux conectando cabos de rede em um rack de servidores com o emblema do LPI na parede

Se a LPIC-1 prova que você administra uma máquina Linux, a LPIC-2 prova que você administra redes mistas de pequeno e médio porte — DNS, e-mail, web, compartilhamento de arquivos, autenticação centralizada e a infraestrutura que amarra tudo. É o degrau que separa o júnior do pleno na trilha do Linux Professional Institute. Nossa série cobre a trilha completa: Linux EssentialsLPIC-1LPIC-2LPIC-3, mais a LPI DevOps Tools Engineer.

Como funciona o exame

São duas provas — a 201 e a 202 — com 60 questões em 90 minutos cada, entre múltipla escolha e preenchimento de lacunas, disponíveis em português. O pré-requisito é ter a LPIC-1 ativa, e a certificação vale por 5 anos. O nível sobe de forma perceptível: menos “qual comando lista arquivos” e mais “qual diretiva do BIND resolve este cenário”.

O que cai na prova 201

  • Planejamento de capacidade: medir uso de recursos, prever crescimento, diagnosticar gargalos com iostat, vmstat, sar;
  • Kernel Linux: compilar, configurar, gerenciar módulos e aplicar parâmetros em runtime;
  • Boot do sistema: systemd a fundo, GRUB avançado, recuperação de sistemas que não sobem;
  • Sistemas de arquivos e dispositivos: manutenção, ajuste e criação de filesystems, udev;
  • Armazenamento avançado: RAID por software (mdadm), LVM completo e ajuste de acesso a discos;
  • Configuração de rede: interfaces, rotas, diagnóstico e resolução de problemas;
  • Manutenção do sistema: compilar programas do fonte, backup e comunicação com usuários.

O que cai na prova 202

  • DNS: configurar e proteger um servidor BIND, zonas e delegação;
  • Serviços web: Apache (virtual hosts, HTTPS), proxy com Squid e Nginx como proxy reverso;
  • Compartilhamento de arquivos: Samba e NFS;
  • Gerência de clientes de rede: DHCP, PAM e autenticação com LDAP;
  • Serviços de e-mail: Postfix, entrega local e Dovecot para IMAP/POP3;
  • Segurança do sistema: roteamento e firewall (iptables/nftables), FTP seguro, SSH avançado, OpenVPN e detecção de invasão.

Como treinar

A LPIC-2 pede laboratório de verdade: monte duas ou três VMs em rede e construa a infraestrutura completa — porque é isso que a prova descreve em cenários:

# laboratório LPIC-2: um mini-datacenter em VMs
# VM1: DNS autoritativo + DHCP    VM2: web + e-mail    VM3: cliente
named-checkconf /etc/bind/named.conf
mdadm --create /dev/md0 --level=1 --raid-devices=2 /dev/vdb /dev/vdc
postconf mydestination

Aqui os posts do blog viram material de apoio: temos a história do Postfix, a do Dovecot e a série de servidores Linux — os mesmos serviços que a prova 202 cobra.

Por onde começar

Se a base de terminal, systemd, LVM e redes ainda oscila, reforce antes com o curso de Linux do Gabriel (Toca do Tux) e garanta a LPIC-1 — pré-requisito formal da LPIC-2. Depois, é montar o laboratório e subir serviço por serviço até a prova virar rotina. 🐧