
No dia 25 de agosto de 2026 o Linux completou 35 anos. Em 1991, um estudante finlandês de 21 anos chamado Linus Torvalds postou no grupo comp.os.minix uma mensagem que viraria história:
Olá a todos que usam minix -
Estou fazendo um sistema operacional (livre) (é só um hobby,
não vai ser grande e profissional como o gnu) para clones
386(486) AT. [...]
“Só um hobby”. Trinta e cinco anos depois, esse hobby roda em praticamente tudo: dos 500 maiores supercomputadores do planeta ao celular no seu bolso.
De 10 mil para dezenas de milhões de linhas
O crescimento do código do kernel conta a história melhor que qualquer discurso:
| Ano | Versão | Linhas de código (aprox.) |
|---|---|---|
| 1991 | 0.01 | ~10 mil |
| 1994 | 1.0 | ~176 mil |
| 2001 | 2.4 | ~2,4 milhões |
| 2011 | 3.0 | ~14,6 milhões |
| 2020 | 5.8 | ~28 milhões |
| 2026 | 6.x | ~40 milhões |
Mais impressionante que o número é o ritmo: a cada ciclo de ~2 meses sai uma versão nova do kernel, com contribuições de milhares de desenvolvedores de centenas de empresas — concorrentes entre si, colaborando no mesmo código. É o maior projeto colaborativo da história do software.
O Linux sustenta a internet
Se você está lendo este post, um Linux te atendeu no caminho. Sem exagero:
- A grande maioria dos servidores web do mundo roda Linux — incluindo este blog.
- 100% dos 500 maiores supercomputadores rodam Linux (desde 2017, sem exceção).
- A esmagadora maioria das cargas em nuvem pública (AWS, Google Cloud, Azure) é Linux.
- O Android, sistema móvel mais usado do planeta, tem o kernel Linux no coração.
- Roteadores, switches, CDNs, DNS, firewalls: a infraestrutura invisível da internet é, em enorme parte, Linux embarcado.
Quer ver o seu?
uname -a
cat /etc/os-release
uptime
E agora, a era da IA também é Linux
A revolução da IA que estamos vivendo roda inteira em cima do pinguim:
- Os grandes modelos de linguagem são treinados em clusters Linux com milhares de GPUs — o stack CUDA/ROCm, os drivers e os orquestradores são Linux em primeiro lugar.
- PyTorch, TensorFlow, Kubernetes, containers: todo o ferramental padrão de IA nasceu e vive no Linux.
- Rodar um modelo local hoje (veja nosso post sobre o Ollama) é apreciar essa herança: IA de ponta no mesmo terminal de sempre.
Não é coincidência: a mesma abertura que fez o Linux dominar os servidores — código aberto, colaboração global, meritocracia técnica — é o que permite à IA evoluir na velocidade atual.
Parabéns, Tux!
35 anos atrás era “só um hobby” de um estudante. Hoje é a fundação da internet, da nuvem, do mobile e da IA. Se existe uma lição nessa história, é a de sempre: aposte em código aberto.
$ echo "Feliz aniversário, Linux! 🐧"
Feliz aniversário, Linux! 🐧