
Em 19 de março de 2005 o NagiosQL entrou no SourceForge. Martin, da wizonet, botou na web o que o admin do Nagios fazia no vim: host, service, contact, timeperiod, template — num formulário, no MySQL, com botão de gravar no disco e outro de nagios -v. Vinte e um anos depois o 3.5.0 ainda vive no GitLab wizonet/nagiosql, PHP 8, snapshot 2025-04-20, e o FreeBSD Ports empacota 3.5.0.20241012. Não é o XI. É o cfg com cara de intranet de 2005 que recusou morrer.
O problema que o vim não resolve
Nagios Core não tem API de configuração. A verdade é arquivo. Em instalação pequena isso é virtude. Em duzentos host, com três admin, vira corrida de cvs diff e ponto-e-vírgula no lugar errado. Centreon e o XI nasceram para esse buraco, do lado comercial. Do lado de quem não queria pagar, 2005: PHP, Apache, MySQL, e um assistente de instalação. NagiosQL 1.0.0 RC1 em 23 de março de 2005, RC2 em 2 de abril. O “QL” é o banco — a config vira linha, o disco vira export.
O site nagiosql.org existiu e sumiu. Rouven, que aparecia no wiki, saiu. Martin ficou. O fórum e o ticket foram para o SourceForge. Em 2018 o código passou a ter casa no GitLab. O nome do maintainer na prática é o mesmo desde o registro: wizonet / Martin.
2.x e 3.x: o objeto inteiro do Nagios
A 2.0.0 saiu em 2007, 2.0.2 em abril de 2008 — ainda falando Nagios 2. A 3.0.0 em 6 de janeiro de 2009 acompanhou o Core 3. Importa cfg existente. Edita host, hostgroup, service, servicegroup, contact, contactgroup, timeperiod, command, host/service escalation, dependency, extended info. Domínio: mais de um “mundo” Nagios no mesmo PHP. Write to disk gera os arquivos no formato que o Core engole. Verify chama o binário. Reload manda SIGHUP. Multilíngue. Instalador que também faz upgrade — de 1.x/2.x para 3.x o Martin mandou reimportar, não migrar o schema na marra.
A 3.4.0 (1º de maio de 2018) foi o corte moderno: suporte completo ao Core 4.x, PHP 7, reescrita. A 3.4.1 (19 de janeiro de 2020) PHP ≥ 7.2, MariaDB, hotfix do git. A 3.5.0 (2023) abriu PHP 8. O Docker da comunidade (instantlinux/nagiosql) empilha 3.5.0 em cima do Core 4.5.x até 2026.
O que o NagiosQL é — e o que não é
Não monitora. Não substitui o CGI de status. Não é o NDOUtils. É o editor:
- Objeto no MySQL, com cópia, busca, paginação.
- Template de host/service, variável livre, ARG de command com caractere especial (bug clássico, corrigido mais de uma vez).
- Write to disk com limite de campo — o ticket #27 de 2025 ainda era isso; Martin fechou no commit de 20 de abril de 2025.
- Import do cfg que alguém escreveu na mão, para não recomeçar do zero.
Quem quer gráfico e trigger no mesmo produto foi para o Zabbix. Quem quer o Core puro com GUI de config barata ficou aqui. O XI da Enterprises faz o mesmo recorte com wizard e preço. O NagiosQL é o XI de quem lê PHP e não assina contrato.
2026: git, PHP 8, o mesmo Martin
Não há release “3.6” bombástico. Há git. FreeBSD atualiza a tag. Docker da comunidade acompanha o Core. Requisito: Apache, PHP 7.2+ (8.x desde 3.5.0), MariaDB/MySQL, sessão, mysqli, gettext. SSH/FTP opcional para gravar cfg em host remoto. O Core 4.5.14 do outro post continua o motor. O QL continua o formulário.
CVE e scanner ainda detectam instalação velha na porta 80 — Nessus tem plugin específico. Quem expõe NagiosQL na internet sem TLS e sem auth do Apache está pedindo. O produto nasceu intranet.
O que ficou
Um alemão (ou suíço da wizonet), um SourceForge de 2005 e a recusa de editar 800 service no vim. O Nagios não ganhou API de config. O NagiosQL foi a API: um POST, um INSERT, um write to disk. 3.5.0, PHP 8, GitLab wizonet, 21 anos. O fichário na capa é literal — cada gaveta um host.cfg.
O daemon: A história do Nagios. O monitoramento que já nasce com banco: Zabbix.