
Desenvolvedor defende o Mir “Why Mir”
O desenvolvedor canônico Alan Griffiths vem blogando muito nos últimos dias sobre o servidor Mir. Ele tem tentado fazer com que a comunidade apoie o Mir e até potencialmente adicione o suporte ao cliente nativo de Wayland. Seu último post é intitulado “Why Mir” com muitos ainda se perguntando por que eles devem se preocupar com Mir quando Wayland provou ser o caminho testado e amplamente adotado.
Griffiths fala sobre as abstrações de Mir, o suporte de Mir para os gráficos de Mesa KMS/X11 e Android HWC (embora eles também sejam todos capazes com Wayland), “além da prova de conceito” o suporte para Vulkan mesmo que não seja público ainda e Wayland apoia o Vulkan, E o Mir como um servidor de exibição fornece “padrões válidos”.
Porque o trabalho foi financiado por recursos Canonical que foram importantes para o Ubuntu Phone e Unity8 desktop têm progredido mais rápido e são mais completos do que outros.
Quando o Mir foi iniciado precisávamos de um mecanismo de comunicação cliente-servidor (e Wayland não estava no estado em que está hoje). Fizemos algo que funcionou bem o suficiente (libmirclient) e, porque é apenas uma parte pequena, intencionalmente isolada do todo, poderíamos mudar mais tarde. Nunca imaginamos que “grande coisa” essa decisão se tornaria.
Aqueles que querem ler mais podem acessar o post Why Mir. Mas em extensivamente monitorando a paisagem de gráficos de Linux, sobre o único ponto de venda eu vejo é seus padrões sensíveis em se tornar mais fácil para os desenvolvedores para levantar novos shells para ir ao Mir rapidamente, mas já vimos que trazendo os compositores de Wayland pode ser amplamente feito, mais trabalho foi feito (e ainda em curso) diferente do ambiente do Wayland de permitir mais compartilhamento de código. Um dos grandes problemas, entretanto, para o Mir é que o suporte ao driver XMir e Mesa não é mainline e, portanto, não está prontamente disponível fora dos pacotes do Ubuntu.
Links
- http://www.phoronix.com/scan.php?page=news_item&px=Mir-Why-Mir
- http://voices.canonical.com/alan.griffiths/2017/04/12/why-mir/
Nove anos depois: o que realmente aconteceu
O texto acima é de uma semana depois do velório
A ironia que dá sentido a este post só fica visível com o calendário na mão. Em 5 de abril de 2017, Mark Shuttleworth anunciou que a Canonical encerraria o Unity, a convergência e o esforço do Ubuntu Phone — e que o Ubuntu 18.04 LTS voltaria ao GNOME. O post “Why Mir”, de Alan Griffiths, é de 12 de abril.
Ou seja: o desenvolvedor estava defendendo a razão de existir do projeto uma semana depois de a empresa desistir da aposta que o justificava. Não é o caso de ler isso como teimosia — é a diferença entre a decisão de negócio e a convicção técnica de quem escreveu o código.
O Wayland ganhou, e não foi por pouco
A previsão implícita no texto original se confirmou inteira. O Wayland é hoje o padrão do desktop Linux: o GNOME o adota por padrão desde o Fedora 25, o KDE Plasma 6 fez o mesmo, e as distribuições grandes já removeram ou estão removendo a sessão X11.
Os problemas que o post de 2017 apontava no Mir — driver não integrado à árvore principal do Mesa, XMir fora do mainline, disponibilidade restrita aos pacotes do Ubuntu — eram exatamente os certos. Sem estar no upstream, um servidor gráfico não sobrevive.
Mas o Mir não morreu — virou outra coisa
E aqui está a parte que quase ninguém acompanhou. Em vez de encerrar o projeto junto com o Unity8, a Canonical o reposicionou por completo. O Mir deixou de ser um servidor gráfico concorrente do Wayland e virou uma biblioteca para construir compositores Wayland.
É uma inversão total de papel: o protocolo que o post original tratava como rival passou a ser o protocolo que o Mir fala. Hoje ele é um conjunto de bibliotecas para quem quer escrever um shell gráfico sem começar do zero — com entrada de toque, mouse e tablet, múltiplos monitores e comunicação cliente-servidor já resolvidos.
Onde ele vive em 2026:
- Ubuntu Frame — o produto de quiosque e sinalização digital da Canonical, mantido pelo mesmo time do Mir. Se você já viu um totem de autoatendimento rodando Linux, pode ter sido isso.
- Dispositivos embarcados e IoT — o nicho para onde a Canonical redirecionou o esforço em 2017.
- Miriway — um compositor Wayland baseado em Mir, para quem quer usá-lo como desktop.
- E um detalhe saboroso: a partir da versão 2.26 o Mir começou a reescrever o frontend Wayland em Rust, trabalho que continuou na 2.27. O projeto que perdeu a briga do desktop em 2017 está entre os que adotaram a linguagem que o kernel só aceitou de vez em 2026.
Alan Griffiths, autor do “Why Mir”, seguiu no projeto todos esses anos.
A lição que ficou
O caso do Mir é o exemplo mais didático de uma regra do software livre: tecnicamente melhor não ganha; integrado ao upstream ganha. O Mir tinha argumentos técnicos reais — abstração limpa, padrões sensatos, suporte a múltiplos back-ends. Perdeu porque o driver não estava no Mesa da distribuição do vizinho, e porque a empresa que o financiava mudou de ideia.
E tem um segundo ensinamento, mais otimista: código bom raramente é desperdiçado. O Mir não virou um repositório arquivado — virou infraestrutura de outra coisa, num mercado onde ninguém esperava encontrá-lo.
Para o contexto completo desta transição: Wayland será o novo X, deste mesmo período, e Linux faz 35 anos, que conta como o desktop chegou até aqui.