Pioneiros do Opensource.

Mascote do LinuxPro numa galeria com os símbolos do GNU, do Tux, do camaleão e do cadeado aberto do código livre

Nota (2026): Lista de abril de 2017, calcada num roundup corporativo da época. Misturava fundador de verdade (Torvalds) com adotante corporativo (Microsoft, Facebook). Nove anos depois o Linux é o chão da nuvem e da IA; a Microsoft patrocina a Linux Foundation; o Facebook virou Meta e o Open Compute Project segue de pé. Os nomes da lista original ficam — com o contexto que faltava, e com quem a lista pulou (Stallman, a OSI, o Debian).

Software livre não nasceu em 2017 e não nasceu no Facebook. Nasceu no GNU (1983), no kernel que um estudante finlandês soltou como hobby (1991) e na definição da Open Source Initiative (1998). O que a indústria fez depois — Ubuntu, Azure, React, Open Compute — é a segunda metade da história: o código aberto virou infraestrutura. Este texto atualiza os cinco nomes do post original e recoloca a genealogia. A linha do tempo do kernel está em Linux faz 35 anos; a do UNIX, em UNIX — a origem.

Quem a lista de 2017 pulou

Antes dos cinco: Richard Stallman escreveu o GNU e a GPL — sem isso o Linux seria um kernel sem userland livre. Bruce Perens and Eric S. Raymond batizaram “open source” e a OSI, traduzindo o movimento para o vocabulário das empresas. O Debian (Ian Murdock, 1993) é o tronco do Ubuntu. Sem esses, Shuttleworth não tem distro e Torvalds não tem sistema.

Linus Torvalds

Retrato pintado de Linus Torvalds

O kernel começou em 1991, estudante de 21 anos em Helsinque, anunciado na lista do MINIX como hobby que “não seria grande e profissional como o GNU”. Queria chamar de Freax (free + freak + X). O admin do FTP, Ari Lemmke, criou o diretório linux. O nome pegou.

Em 2026 o mesmo homem ainda é o último filtro do git.kernel.org. Android, ChromeOS, a nuvem inteira e boa parte da IA local rodam nesse kernel. Em 2005, furioso com o BitKeeper, ele escreveu o Git em dias — o Git que hoje é o chão do CI/CD. Também mantém o Subsurface (software de mergulho). Fellow da Linux Foundation; a marca “Linux” é dele.

A frase de 1991 continua sendo o melhor resumo do projeto: hobby. O resto da indústria que se vire para acompanhar.

Mark Shuttleworth

Retrato pintado de Mark Shuttleworth

Sul-africano, Debian, vendeu a Thawte para a VeriSign, pagou a própria viagem à ISS em 2002 e em 2004 fundou a Canonical para financiar o Ubuntu (“humanidade para os outros”). Ubuntu é Debian com cadência, desktop que o parente instala e servidor que a nuvem aluga.

Em 2017 o texto inflava OpenStack. Em 2026 o Ubuntu ainda é a distro mais comum em instância de nuvem pública; a Canonical vive de Ubuntu Pro, Landscape, snaps e suporte. 24.04 LTS e 26.04 são o trilho atual. Shuttleworth continua o acionista; o projeto segue o contrato social debianita com uma empresa no meio — o compromisso eterno do Ubuntu.

Mark Zuckerberg

Retrato pintado de Mark Zuckerberg

Não é pioneiro do software livre. É o CEO que descobriu que o Facebook (hoje Meta) não existe sem Linux, PHP, MySQL e um data center barato. O que ele fez de útil para o ecossistema: abrir o hardware do data center no Open Compute Project (2011) — especificação de servidor, rack e fonte que a indústria copiou — e soltar React, GraphQL, PyTorch (via FAIR). HHVM ficou pelo caminho.

A frase de 2017 (“a maior empresa de software open source do mundo sem vender software”) era marketing. A Meta publica muito código; o produto continua fechado. OCP e PyTorch são a parte que importa no Linux de verdade.

Dave McAllister

Retrato pintado de Dave McAllister

Nome de bastidor, não de pôster. Passou pela Adobe (fontes abertas) e pela Red Hat no grupo Open Source and Standards, em torno de Gluster e big data. Depois foi para a Solace. O valor da inclusão em 2017 era mostrar o profissional que vive dentro das empresas empurrando código aberto quando o palco é Torvalds e Stallman. Continua sendo esse tipo: engenheiro de comunidade, não fundador de kernel.

Bill Laing

Retrato pintado de Bill Laing

Na Microsoft, Laing foi a cara da virada de infra: Azure, servidores de escala, adesão ao Open Compute. O post de 2017 lembrava a frase de Ballmer em 2001 — “Linux é um câncer”. Em 2014 Satya Nadella disse “Microsoft loves Linux”. Em 2016 a empresa entrou na Linux Foundation. Em 2018 comprou o GitHub. O Azure passou a rodar mais Linux do que Windows. O .NET virou open source. O WSL pôs o kernel no desktop Windows.

Laing saiu da Microsoft depois. A virada não foi de um homem só — foi Nadella, o Azure e a conta de que a nuvem não se faz só com Windows. Mas o anúncio de “abrir o projeto do servidor” que o texto original citava foi real, e o OCP da Microsoft ainda está lá.

O que mudou desde 2017

  • O kernel do hobby virou o SO da IA: CUDA, TPU no GCP, o Ollama no notebook.
  • Git não é mais “o SCM do Linus”: é o protocolo do DevOps.
  • A briga GPL vs. “open source corporativo” não acabou — só mudou de palco (SSPL, BSL, commons clause).
  • Quem faltava na lista — Stallman, Perens, o Debian — continua sendo a fundação. Os cinco nomes de 2017 são, em graus diferentes, o que a indústria fez em cima dessa fundação.

References

Pioneiro, neste ofício, é quem solta o código e aceita que o resto do mundo vai forká-lo. Torvalds fez isso aos 21. O restante da lista de 2017, no fundo, só admitiu que não havia outro chão para construir.