A história do XenServer: da Citrix ao nome de volta

Tux de pé entre o wordmark da Citrix e o X do Xen

XenServer é o produto. Xen é o hipervisor. A confusão dura dezenove anos: XenSource empacota Cambridge, Citrix compra por meio bilhão, rebatiza de Citrix Hypervisor, a private equity devolve o nome, e em julho de 2026 o XenServer 9 volta a ser “Citrix” e a falar com todo tipo de carga — não só desktop. Esta é a história do appliance, não a do paper.

XenSource: o appliance em cima do Xen

O hipervisor livre nasceu em Cambridge — a origem está em A história do Xen. O que faltava era um produto: ISO, console, pool de hosts, o usuário sem precisar de xm. Em 2005 a XenSource virou empresa. Anil Madhavapeddy, do time original, foi release manager da primeira distro comercial. O truque era esconder o Xen atrás de um appliance Linux: o que o cliente via era “ligar VM”, não “dom0”.

A parceria com a Microsoft começou no outono de 2006 — a VMware irritava os dois. Em agosto/outubro de 2007 a Citrix comprou a XenSource por US$ 500 milhões. Steve Wilson (xVM da Sun) olhava o VirtualBox no desktop; a Citrix queria o servidor e o VDI. XenServer nasceu como o hipervisor “amigo da Microsoft” no portfólio Citrix, ao lado de XenApp e XenDesktop.

A era Citrix: HA, XenCenter, o tipo 1 de verdade

Tipo 1, bare metal: o Xen sobe do bootloader, o CentOS (depois) vira dom0, o XAPI fala HTTP/XML-RPC, o XenCenter (Windows) ou o xe manda. Live migration, pool, storage repository, HA no 5.0 (OCaml por baixo). GPU, depois vTPM para Windows 10/11. Por uns anos o XenServer brigou de verdade com VMware e Hyper-V. Em 2014 o Gartner já achava que a Citrix tinha desistido do servidor genérico e se preso ao próprio VDI.

2013: open source e a morte do XCP

Em 25 de junho de 2013 a Citrix anunciou o XenServer 6.2 inteiro aberto e de graça — features que eram Platinum passaram a não exigir licença. O XCP (Xen Cloud Platform), o ISO “quase XenServer” que existia desde 2011, perdeu o sentido. “XCP is dead; long live XenServer”, escreveu o Xen Project. O código foi para xenserver.org. O que não abriu: daemon de licença, alguns drivers de storage, o HA fechado.

2018: Citrix Hypervisor e o corte do Free

A linha Xen* da Citrix virou marca única: XenServer passou a Citrix Hypervisor; XenApp/XenDesktop viraram Virtual Apps and Desktops. Em dezembro de 2017 o 7.3 tirou do Free o que o laboratório usava de graça: storage XenMotion, dynamic memory control, GPU passthrough. Patches de segurança para versões antigas, só com contrato. Foi o estopim do XCP-ng.

2022–2026: o nome de volta, o 9, de novo Citrix

Em 30 de setembro de 2022 Vista Equity e Evergreen compraram a Citrix (US$ 16,5 bilhões) e fundiram com a TIBCO na Cloud Software Group. O hipervisor virou unidade solta e recuperou o nome XenServer. Em março de 2024 saiu o XenServer 8 — na prática Citrix Hypervisor 8.2 CU1 com patches, trial de três hosts, ferramenta de migração VMware. O 8.2 da Citrix tinha EOL em 25 de junho de 2025.

Em julho de 2025 a Citrix disse que o XenServer voltava a “todo tipo de workload”. Em 1º de julho de 2026 lançou o XenServer 9 (preview, GA no ano): hipervisor Xen 4.21, novo SO no control domain, NUMA, Secure Boot. A unidade XenServer da CSG acabou; o produto voltou “under the Citrix umbrella”. A Standard/Premium avulsa já tinha ido a end-of-sale em junho de 2024 — a licença agora anda dentro das subscriptions Citrix (Private Cloud, Hybrid, Platform).

Onde encaixa

Quem quer o mesmo stack sem a Citrix vai para o XCP-ng (fork “friendly”, XAPI intacto). Quem quer KVM+LXC no Debian, Proxmox. Para tirar OVA do VirtualBox e pousar no XAPI: ova2xva.

XenServer 9, Xen 4.21, de novo com o logo Citrix. O appliance de 2005 ainda existe. O nome, pela terceira vez, também.