
Em 7 de abril de 2001 Alexei Vladishev abriu o Zabbix em GPL. Era ferramenta interna; virou projeto. A 1.0 estável só em 23 de março de 2004. Em abril de 2005 nasceu a SIA Zabbix, em Riga, Letônia. Vinte e um anos de empresa (aniversário em 12 de abril de 2025), vinte e cinco de código. Em 25 de agosto de 2026 saíram o 7.4.14 e o 7.0.30 LTS. O 8.0 LTS já está em beta, com CEP, OpenTelemetry e UI nova. O cubo vermelho na capa é o wordmark oficial: ZABBIX, #d40000, sem floreio.
Riga, 2001: o anti-Nagios com banco
Vladishev não queria um scheduler de plugin e um CGI. Queria item no banco, histórico, gráfico, trigger, agente no host. Servidor em C, frontend em PHP, dados em MySQL (depois PostgreSQL, Timescale). O agente fala com o server; o server guarda; o frontend lê. Check ativo e passivo. Proxy para rede que o server não alcança. Java gateway para JMX. Anos depois, Agent2 em Go.
O Nagios gritava. O Zabbix desenhava. Auto-discovery e auto-registration vieram na 1.8 (dezembro de 2009). Template de host. LLD (low-level discovery) para disco, interface, container — o objeto nasce sozinho. Quem veio do cfg do Nagios sentiu o choque: aqui se clica. Ou se fala com a API.
Versão ímpar era branch de desenvolvimento, par era estável — 1.3 virou 1.4. A convenção durou. 2.0 em 2012, 3.0 em 2016, 4.0 em 2018, 5.0 em 2020. A empresa abriu escritório no Japão, EUA, Brasil, México; em 2025, França. Comprou a IZI-IT. Vladishev segue CEO.
6.0 e 7.0: HA, Kubernetes, AGPL
A 6.0 LTS (8 de fevereiro de 2022) pôs cluster de alta disponibilidade no server, monitoramento de Kubernetes e detecção de anomalia com um cheiro de ML. A 7.0 LTS (4 de junho de 2024) foi o corte político e técnico: a licença saiu de GPLv2 para AGPLv3. Quem entrega o Zabbix como SaaS precisa abrir ou comprar. Vieram synthetic monitoring no browser, API melhor e proxy com load-balance. A 7.4 (30 de junho de 2025) é a estável “rápida”; suporte de segurança até 31 de dezembro de 2026. A 7.0 LTS vai até junho de 2029. A 6.0 LTS ainda recebe patch — 6.0.48 em 28 de julho de 2026.
O que o Zabbix é, em uma frase
Um banco de métrica com trigger. Item (a métrica), host (o alvo), template (o molde), trigger (a conta que vira problema), action (o que fazer), history/trend (o gráfico). Proxy na borda. Frontend PHP. Agent no Linux, Windows, UNIX. Sem o plugin-por-check do Nagios — embora dê para chamar script. Sem o NagiosQL, porque a config já mora no SQL desde o dia um.
O Prometheus deste blog — Node Exporter e pull — é primo: métrica, não check. O Zabbix nunca largou o alerta clássico (PROBLEM / OK) que o Nagios ensinou. Por isso sobreviveu à moda SRE: o NOC ainda quer um vermelho que pisca.
2026: 7.4.14, 8.0 LTS no forno
Em 25 de agosto de 2026: 7.4.14 e 7.0.30. Agent2 em Go, Docker oficial zabbix/zabbix-docker (branches 6.0, 7.0, 7.4, trunk atualizados em setembro). O 8.0.0beta2 saiu em 9 de julho de 2026. O que Vladishev mostrou no Summit 2025 / conferência do Japão: Complex Event Processing (filtrar, normalizar, suprimir, fechar evento velho), APM e OpenTelemetry, escala cloud-native (UI, API, server e history DB separados), AI, marketplace global de solução de parceiro. O slogan novo: “Your business works — you know it.” Observability, não só ping.
Pacote no Ubuntu/Debian pelo repo da própria Zabbix — a distro quase sempre vai atrás. O frontend é PHP; FPM 8.5 no Ubuntu 26.04 resolve.
Nagios, Zabbix, o que cada um ficou
Nagios: o check e o pager. Zabbix: o item e o gráfico. Prometheus: o scrape e o Grafana. Os três convivem. Empresa letã, código AGPL, Riga no pátio. O cubo vermelho não é raposa nem pombal — é o nome, em caixa-alta, desde sempre.
O que ficou
Um letão, um GPL de 2001 e a teimosia de pôr a métrica no banco. 7.4.14, 7.0 LTS, 8.0 no beta. AGPLv3 desde a 7.0. O pátio na capa é Riga: tijolo, Art Nouveau, porto. O Tux no paralelepípedo. O ZABBIX no cubo.
O ancestral do alerta: Nagios. O editor do cfg: NagiosQL. O pull moderno: Prometheus e Node Exporter.