Certificação LPIC-1: o que estudar para tirar a sua

Capa: Tux subindo uma escadaria rumo ao emblema do Linux Professional Institute

A LPIC-1 é a porta de entrada clássica das certificações Linux: neutra de fornecedor, reconhecida mundialmente e mantida pelo Linux Professional Institute (LPI). Se você quer um selo que prove que domina o básico bem feito — terminal, pacotes, sistemas de arquivos, usuários, redes — em qualquer distribuição, é por aqui que se começa. Este post faz parte da nossa série sobre certificações Linux; veja também LFCS, RHCSA e CompTIA Linux+.

A LPIC-1 é o segundo degrau da trilha do LPI, que cobrimos post a post: Linux Essentials (a porta de entrada) → LPIC-1LPIC-2LPIC-3, com a LPI DevOps Tools Engineer como ramificação para automação.

Como funciona o exame

A LPIC-1 exige duas provas: a 101 e a 102. Cada uma tem 60 questões em 90 minutos, entre múltipla escolha e preenchimento de lacunas (você digita o comando — sem chute de alternativa). Não há pré-requisito, a certificação vale por 5 anos e as provas podem ser feitas em português, presencialmente ou online com monitoramento remoto. Consulte os valores atuais no site do LPI — historicamente cada prova fica na casa dos US$ 200.

O que cai na prova 101

  • Arquitetura do sistema: processo de boot, GRUB, systemd, targets/runlevels, hardware básico;
  • Instalação e gerenciamento de pacotes: particionamento, gerenciadores das duas famílias — dpkg/apt (Debian/Ubuntu) e rpm/dnf (Red Hat) — e bibliotecas compartilhadas;
  • Comandos GNU e Unix: o coração da prova — pipes, redirecionamentos, processamento de texto (grep, sed, cut, sort), gerenciamento de processos, prioridades, e edição com vi;
  • Discos, sistemas de arquivos e FHS: criar e montar filesystems, permissões e donos, links simbólicos e físicos, hierarquia padrão de diretórios.

O que cai na prova 102

  • Shell e shell script: variáveis, perfis, scripts com condicionais e loops;
  • Interfaces e desktops: noções de X11, Wayland e acessibilidade;
  • Tarefas administrativas: usuários e grupos, cron e at, localização e fuso horário;
  • Serviços essenciais: sincronização de hora (NTP), logs (journalctl, rsyslog), noções de e-mail (MTA) e impressão (CUPS);
  • Redes: fundamentos de TCP/IP, IPv4/IPv6, configuração de cliente, DNS;
  • Segurança: sudo, permissões especiais (SUID/SGID), SSH e criptografia com GPG.

Como treinar (e por que só ler não passa)

A LPIC-1 cobra memória de comando: opções, arquivos de configuração, caminhos exatos. Isso só entra fazendo. Monte uma VM (ou WSL) com uma distro de cada família e viva no terminal:

# um exercício por dia: hoje, processamento de texto
grep -c "^root" /etc/passwd
cut -d: -f1,7 /etc/passwd | sort | head
find /var/log -type f -mtime -1 2>/dev/null
# amanhã, pacotes nas duas famílias
apt list --installed | wc -l      # Debian/Ubuntu
dnf list installed | wc -l        # Fedora/RHEL

Use os objetivos oficiais na wiki do LPI como checklist: cada tópico tem peso definido — estude na proporção da prova. E leia man pages de verdade; várias questões saem literalmente delas.

Por onde começar

Se você está migrando agora ou quer organizar a base antes de mergulhar nos simulados, o curso de Linux do Gabriel (Toca do Tux) cobre em português exatamente os fundamentos que a LPIC-1 cobra — distribuições, terminal, pacotes, permissões, processos, partições, redes e shell script — e foi desenhado com as certificações LPIC-1 e LFCS no horizonte. Feita a base, é simulado e terminal até o dia da prova.

A LPIC-1 não é difícil — é extensa. Constância vence: uma hora de terminal por dia chega lá. 🐧