
Antes de Linux, Windows e macOS virarem o mapa do desktop, o sistema operacional era um técnico ligando chaves num mainframe. De 1969 até 2026 a história é uma árvore: Unix, DOS, as GUIs da Xerox, o kernel de Linus, o bolso com iOS e Android. O texto de 2013 parava no Firefox OS. Abaixo, a mesma linha — com o que sobreviveu, o que morreu e o que o selo UNIX® ainda cobre.
Mainframes: o SO ainda era gente
Nos anos 1950 o computador ocupava a sala e o operador ocupava o sistema. Ligar e desligar chaves, trocar painéis, esperar a luz. O GM-NAA I/O (1956) e o IBSYS da IBM já automatizavam lote; o OS/360 (1966) tentou ser o sistema para a família System/360. CTSS no MIT e o Multics (MIT, GE, Bell Labs) inventaram o timesharing. Em março de 1969 a AT&T saiu do Multics. Sobrou um PDP-7 e três semanas de férias.

Unix, BSD e System V
Ken Thompson escreveu assembler, editor e kernel no PDP-7 em agosto de 1969. O nome — Unics, depois Unix — é trocadilho de Brian Kernighan com o Multics. O primeiro manual é de 3 de novembro de 1971. Em 1973 o sistema ganhou pipes e foi reescrito em C; em julho de 1974 Thompson e Dennis Ritchie publicaram na Communications of the ACM. A AT&T não vendia software (decreto de 1956), então as universidades copiaram. Não era “código fechado” no sentido de 2026: era pesquisa que viajava em fita.
A primeira Berkeley Software Distribution saiu em março de 1978 (Bill Joy), não em 1977. O 4.2BSD (1983) pôs o TCP/IP que a internet ainda fala. Do outro lado, a AT&T comercializou o System V (1983); o SVR4 (1988) tentou unificar as duas linhagens. POSIX (1988) e a Single UNIX Specification da The Open Group (1996) são o contrato da marca UNIX®. A história completa, com o processo USL vs. BSDi e o registro de 2026: UNIX — A Origem dos Sistemas.
XENIX não é um Unix “que a Microsoft não desenvolveu”. Em 1980 a Microsoft licenciou o Unix da AT&T e vendeu um dos Unix mais instalados da era PC; nos anos 1990 o produto foi para a SCO. UnixWare/OpenServer hoje são da Xinuos.
Micros: DOS, Apple, Atari, Amiga
No Apple II o disco ganhou o Apple DOS (1978), escrito por terceiros: catálogo, abrir, apagar, boot. Atari DOS (1979) e Apple SOS (1980, Apple III) são da mesma geração de disquete. O 86-DOS (QDOS) da Seattle Computer Products, de Tim Paterson, a Microsoft comprou e rebatizou: MS-DOS / IBM PC DOS em 1981, o SO do IBM PC.
AmigaOS (1985) chegou com preemptivo de verdade e o Exec de Carl Sassenrath — o desktop do Commodore que os PCs da época não tinham. GEOS (1986) pôs janelas no C64 e no Apple II. Nada disso desceu de Unix; o PC doméstico falava DOS até o Windows 95 fingir que não.
A interface: Xerox, Lisa, Mac, Windows
A GUI não nasceu na Apple. O Alto e o Star da Xerox PARC, com o sistema Pilot (1981), já tinham mouse, ícones e janelas. A Lisa (1983) e o Macintosh (1984, System 1) levaram isso à loja. O Windows 1.0 (20 de novembro de 1985) era um shell gráfico em cima do MS-DOS, não um kernel — azulejos, sem sobreposição de janelas de verdade. O 2.0 (1987) sobrepôs; o 3.0 (1990) e o 3.1 (1992) vendidos em milhão é que viraram o desktop brasileiro da década.

NeXTSTEP (1989) é o Unix de Steve Jobs depois da Apple: Mach + BSD + Display PostScript. A Apple comprou a NeXT em 1996, matou o Copland e construiu o Mac OS X em cima disso.
A linhagem Windows
Windows 95 (agosto de 1995) fixou o Menu Iniciar, a barra de tarefas e o Explorer — o desktop que o 8 tentou apagar e o 10 devolveu. 98 e 98 SE; ME (2000) foi o último da linha 9x e o mais odiado. Windows 2000 (NT 5.0) era o ramo sério; o XP (2001) misturou os dois e durou até 2014 no suporte. Vista (2006) pagou o Aero; o 7 (2009) cobrou o prejuízo. O 8 (2012) apostou em tile e tablet; o 10 (2015) recuou. O Windows 11 saiu em 5 de outubro de 2021; o Windows 10 perdeu o suporte em 14 de outubro de 2025. No desktop de jogos o 11 é maioria; no servidor, o NT continua. O WSL 2 embute um kernel Linux de verdade — não existe “WSL 3”; o que a Microsoft anunciou no Build 2026 foram WSL containers.
Windows Phone (2010) e o 10 Mobile morreram: a Microsoft encostou o projeto em 2017 e o suporte acabou em 2019. OS/2 (1987, IBM + Microsoft, depois só IBM) perdeu o desktop e virou nota de rodapé. Workplace OS, o “roda tudo” da IBM no PowerPC, nunca saiu do laboratório de verdade.
GNU, Linux e as distros
MINIX (Andrew Tanenbaum, 1987) é didático, não “Unix barato para o lar”. Linus Torvalds compilou o kernel no MINIX; não copiou o código. O anúncio na comp.os.minix é de 25 de agosto de 1991. O userland é GNU. A história de Linus neste blog: A história de Linus Torvalds. Os 35 anos: Linux 35 anos.
Debian (1993, Ian Murdock) e Slackware (Patrick Volkerding, no mesmo ano) saíram do SLS. Red Hat (1995) virou empresa; SUSE (1994) também. Fedora (2003) é o ramo comunitário da Red Hat. Ubuntu (20 de outubro de 2004) tornou o Debian palatável e ainda solta duas versões por ano — a LTS é a que o servidor usa. Linux Mint (2006) sentou em cima do Ubuntu. Gentoo (2002) compilou tudo. openSUSE (2006) abriu o SUSE.
No Brasil o Kurumin (2003–2009) de Carlos E. Morimoto — Debian/Knoppix, depois NG 8 no Ubuntu 8 — foi o Linux que muita gente viu primeiro, com o ClicaAki no lugar do painel. A biografia: A história de Carlos Morimoto e o Kurumin Linux.
O que o catálogo de 2013 não via: systemd (2010; Fedora 15, Debian 8) virou o init de quase todo mundo; containers (Docker, Kubernetes) viraram o jeito de empacotar o userland; o kernel aceitou Rust a partir do 6.1 (dezembro de 2022) — a língua: A história da linguagem Rust. SteamOS 3 (Arch + Gamescope) saiu do Deck e, em 2026, chegou a outros handhelds. Linux não é “o terceiro desktop”: é o SO do celular (Android), do Chromebook, do supercomputador e, cada vez mais, do console.
Apple: de System a Darwin
System 6 (1988), System 7 (1991). Copland (o “System 8”) abortou. Rhapsody foi a ponte NeXT → Mac. Mac OS X 10.0 (2001) trouxe o Darwin: kernel XNU (Mach + BSD, híbrido — não “dois microkernels”), Dock, memória protegida. Tiger (10.4, 2005) foi o primeiro OS X a rodar em Intel. O nome virou OS X, depois macOS. É UNIX 03 certificado desde o Leopard (2007). Em 2026 o registro da Open Group lista o macOS 26 Tahoe (Apple silicon e Intel). iOS nasceu iPhone OS (2007) e ganhou nome em 2010; iPadOS separou-se em 2019. watchOS e tvOS são a mesma família Darwin, com a loja fechada.
O bolso: Android e o que não vingou
A Android Inc. (2003) a Google comprou em 2005. O Open Handset Alliance anunciou o sistema em 2007; o 1.0 saiu em setembro de 2008. O kernel é Linux; a userland e os drivers, na prática, não. Em junho de 2025 veio o Android 16; em 16 de junho de 2026 o Android 17 começou no Pixel — a versão “mais recente” do texto antigo era a 4.3. Chrome OS (2011) é o Linux da Google no notebook: o app é o browser; o Chromium OS continua o ramo aberto.
Symbian dominou o celular pré-iPhone e morreu na Nokia. webOS (Palm, 2009) vive nos TVs da LG. Bada (Samsung, 2010) cedeu ao Tizen, que hoje é relógio e televisão, não smartphone. Firefox OS a Mozilla matou em 2016. Ubuntu Touch a Canonical largou em 2017; quem mantém é a UBports. Windows Phone já foi dito. KaiOS herdou um pouco do Firefox OS nos feature phones. HarmonyOS da Huawei é outro ramo — não entra neste mapa.

Consoles e o selo UNIX em 2026
O Xbox OS do texto de 2013 embarcou: o Xbox One (2013) roda um Windows enxuto; Series X/S seguem a mesma casa. Orbis OS do PS4 é FreeBSD por baixo; o PS5 não mudou de família. Não eram “em desenvolvimento”: saíram.
OpenSolaris a Oracle encerrou; o código aberto que restou é o illumos (OpenIndiana, OmniOS, SmartOS) — não “OpenSolaris da Oracle”. Solaris 11 ainda existe como produto fechado. AIX 7 (IBM POWER) e HP-UX 11i V3 (HPE Integrity) continuam no registro UNIX. Quem pode escrever UNIX® no caixa, no registro da Open Group em setembro de 2026:
- Apple — macOS 26 Tahoe (Apple silicon e Intel), UNIX 03
- IBM — AIX 7 (POWER), UNIX 03 e UNIX V7; z/OS numa certificação mais velha
- HPE — HP-UX 11i V3 nos Integrity (Itanium), UNIX 03
Linux, FreeBSD, OpenBSD, NetBSD, illumos: Unix-like, sem o selo. O mapa da marca: UNIX — A Origem dos Sistemas.
O que ficou
O técnico das chaves virou init. O PDP-7 virou o kernel no bolso. A Xerox ensinou a clicar; a Microsoft ensinou o Menu Iniciar; a Apple ensinou o Unix certificado no laptop; o Linux ensinou o resto do planeta a não pagar a marca. Pipes, /usr, POSIX — isso não foi embora. As línguas que nasceram nesse chão: Go, Rust, As 7 principais linguagens.
Ritchie: The Evolution of the Unix Time-sharing System · registro UNIX®: The Open Group · Android 17: developer.android.com.