Instalando o Visual Studio Code no Ubuntu

Mascote do LinuxPro digitando no teclado diante do editor de código, com o logo do Visual Studio Code ao lado

Nota (2026): o post original, de 2017, instalava o VS Code baixando um .deb avulso e misturava dois produtos diferentes. Foi refeito: o método correto hoje é o repositório apt oficial, que atualiza junto com o sistema — e vale saber que existe uma build alternativa sem telemetria.

The Visual Studio Code é o editor mais usado do mundo, roda bem em Linux e é gratuito. Este guia mostra como instalar do jeito que se mantém atualizado sozinho, o que fazer logo depois e qual é a diferença entre o binário da Microsoft e o VSCodium.

Antes: VS Code não é Visual Studio

Os nomes confundem, mas são produtos diferentes:

  • Visual Studio Code — editor de código leve, multiplataforma, escrito em TypeScript sobre Electron. É este que roda em Linux.
  • Visual Studio (sem “Code”) — a IDE pesada da Microsoft para .NET, C++ e C#, nas edições Community, Professional e Enterprise. Ela não existe para Linux. Quem precisa de .NET no Linux usa o SDK pela linha de comando — assunto do post instalando o .NET no Linux — com o VS Code por cima.

Instalando pelo repositório oficial (recomendado)

Este é o caminho certo: registra o repositório da Microsoft, e a partir daí o editor atualiza junto com o `apt upgrade` do sistema, sem você caçar `.deb` novo a cada versão.

sudo apt install wget gpg

wget -qO- https://packages.microsoft.com/keys/microsoft.asc 
  | sudo gpg --dearmor -o /usr/share/keyrings/microsoft.gpg

Agora o arquivo de repositório. As distribuições recentes usam o formato deb822, mais legível que a linha única antiga:

sudo tee /etc/apt/sources.list.d/vscode.sources > /dev/null <<'FIM'
Types: deb
URIs: https://packages.microsoft.com/repos/code
Suites: stable
Components: main
Architectures: amd64,arm64,armhf
Signed-By: /usr/share/keyrings/microsoft.gpg
FIM

sudo apt update
sudo apt install code

Repare no Architectures: além do amd64 normal, o repositório serve arm64. Ou seja, funciona num Raspberry Pi 4/5 de 64 bits e em servidores ARM, não só no PC.

As outras formas

# snap (vem pronto no Ubuntu)
sudo snap install --classic code

# flatpak, pela Flathub
flatpak install flathub com.visualstudio.code

# .deb avulso, quando você precisa de uma versão específica
sudo apt install ./code_1.XX.X_amd64.deb

The --classic do snap não é decoração: sem ele o editor fica confinado e não enxerga seus arquivos nem os compiladores instalados no sistema. O flatpak tem a mesma limitação de sandbox e exige liberar acesso a pastas — para um editor, que precisa alcançar o projeto inteiro e as ferramentas de build, o repositório apt continua sendo o caminho de menos atrito.

VSCodium: o mesmo editor, sem telemetria

Aqui está a parte que o post de 2017 não contava. O código-fonte do VS Code está no github.com/microsoft/vscode sob licença MIT. Mas o binário que a Microsoft distribui não é só esse código compilado: na hora do build ela acrescenta o que a própria documentação chama de “funcionalidade específica da Microsoft” — telemetria, a galeria de extensões e a marca — e o distribui sob licença proprietária.

The VSCodium é exatamente o mesmo código-fonte compilado without esses acréscimos: binário MIT, telemetria desligada. Instala igual:

wget -qO- https://gitlab.com/paulcarroty/vscodium-deb-rpm-repo/raw/master/pub.gpg 
  | gpg --dearmor 
  | sudo dd of=/usr/share/keyrings/vscodium-archive-keyring.gpg

sudo tee /etc/apt/sources.list.d/vscodium.sources > /dev/null <<'FIM'
Types: deb
URIs: https://download.vscodium.com/debs
Suites: vscodium
Components: main
Architectures: amd64 arm64
Signed-by: /usr/share/keyrings/vscodium-archive-keyring.gpg
FIM

sudo apt update
sudo apt install codium

O preço da troca: o marketplace oficial da Microsoft tem termos de uso que só permitem o cliente dela, então o VSCodium aponta para o Open VSX, um catálogo aberto. A maioria das extensões populares está lá, mas algumas — em geral as próprias da Microsoft, como as de C++ e as de acesso remoto — não. Vale checar antes de migrar se a extensão de que você depende existe no Open VSX.

Depois de instalar

O primeiro ganho prático é abrir projeto direto do terminal, sem passar pelo gerenciador de arquivos:

code .                    # abre a pasta atual como projeto
code arquivo.py           # abre um arquivo
code --diff a.txt b.txt   # compara dois arquivos lado a lado
code --list-extensions    # o que você já tem instalado

Extensões pela linha de comando, útil para reproduzir seu ambiente numa máquina nova:

code --install-extension ms-python.python
code --install-extension golang.go
code --install-extension rust-lang.rust-analyzer

# levar sua lista para outra máquina
code --list-extensions > extensoes.txt
xargs -n1 code --install-extension < extensoes.txt

E a função que transforma o editor em ferramenta de administração de servidor: o Remote — SSH. Com ela você abre uma pasta de um servidor remoto e edita como se fosse local — com syntax highlighting, terminal integrado e depurador rodando , não aqui. Para quem administra máquina Linux por SSH, é a diferença entre editar YAML no vim por cima de uma conexão lenta e ter o projeto inteiro aberto na tela.

code --install-extension ms-vscode-remote.remote-ssh
# depois: F1 → "Remote-SSH: Connect to Host" → usa o seu ~/.ssh/config

Ela lê o seu ~/.ssh/config, então os apelidos de host que você já usa aparecem na lista. Essa é uma das extensões que não estão no Open VSX — é o caso concreto em que a build da Microsoft ganha da do VSCodium.

Atalhos que valem o dedo

  • Ctrl+P — abre arquivo pelo nome, sem tirar a mão do teclado
  • Ctrl+Shift+P — a paleta de comandos: tudo que o editor sabe fazer, buscável por texto
  • Ctrl+` — abre e fecha o terminal integrado
  • Ctrl+Shift+F — busca em todos os arquivos do projeto
  • F2 — renomeia um símbolo em todo o projeto, respeitando escopo
  • Alt+clique — múltiplos cursores, para editar várias linhas de uma vez

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