As 7 principais linguagens de programação!

Mascote do LinuxPro tirando um livro da estante de linguagens de programação, cada lombada com o símbolo de uma delas

Nota (2026): Lista de 2017 (Java, C, Python, Perl, PHP, Go, Swift). O ranking mudou: Python lidera o TIOBE; Perl saiu do top 20; Rust entrou no top 10. Mantemos as sete originais, atualizadas, e um retrato de setembro de 2026.

Abra um servidor Linux qualquer e você encontra cinco linguagens diferentes rodando ao mesmo tempo, sem saber uma da outra. O kernel é C. O docker e o kubectl são Go. O painel de chamados é PHP — ou Perl, se for antigo. O script que faz o backup às três da manhã é Python. E, desde 2026, até o ls e o sudo do Ubuntu passaram a ser Rust.

Linguagem de programação é o contrato entre quem escreve e a máquina: sintaxe, semântica, um compilador ou um interpretador. Este post é o mapa de quem fala o quê — as sete da lista original de 2017, atualizadas, mais as que entraram depois.

O que mudou no mapa

TIOBE de setembro de 2026 (busca, não emprego): 1 Python, 2 C, 3 C++, 4 Java, 5 C#, 6 JavaScript, 7 Visual Basic, 8 SQL, 9 R, 10 Rust. Go em 12º, PHP em 14º, Swift em 18º. Perl não aparece no top 20. PYPL (tutoriais no Google) e o uso no GitHub contam outra história: JavaScript/TypeScript dominam a web; Python, a IA.

Índice não é destino. Este blog roda WordPress (PHP). O kernel é C. O que você instala no servidor, em 2026, ainda passa por essas sete — mais Rust e JS, que a lista de 2017 não cobriu.

Paradigmas, em uma tela

Imperativo: uma sequência de ordens. Orientado a objetos: estado encapsulado em tipos. Quase toda linguagem da lista é multiparadigma. Alto nível aproxima do humano; baixo nível, do registrador. C anda nos dois. Python, no alto. Assembly, embaixo.

Python

As duas cobras do logo do Python num laboratório de dados

Guido van Rossum · 1991 · interpretada · onde vive no Linux: automação, IA, apt e metade dos utilitários da distro.

Legível, batteries included, comunitária. Em 2017 já se falava de aprendizado de máquina; em 2026 é a língua franca da IA, da automação e do script de sysadmin. A série estável é a 3.14, e não existe mais “Python 2” em servidor sério.

É também a linguagem que você mais encontra sem procurar: boa parte das ferramentas de sistema do Debian e do Ubuntu é escrita nela, e todo o ecossistema de IA — do vLLM ao cliente do Ollama — fala Python primeiro.

Comece pelo howto Python do Básico ao Profissional e pelo python.org.

C

Robô de manutenção numa sala de máquinas clássica, o território da linguagem C

Dennis Ritchie · 1972 · compilada · onde vive no Linux: o kernel, a glibc, o OpenSSL, o PostgreSQL — o chão de tudo.

No ano seguinte à criação, o UNIX foi reescrito nela — e é por isso que meio século depois ela ainda manda. C23 é o ISO vigente. Não é “fácil”: é a que o ferro obedece, com o preço de você mesmo cuidar da memória. O K&R continua o livro; o compilador na sua distro é o GCC ou o Clang.

Por quase toda a história do kernel, C foi a única opção — até 2022, quando o Rust entrou como experimento, e 2026, quando deixou de ser experimento. Essa história está em A história de Linus Torvalds e em Linux faz 35 anos; a linhagem que veio antes, em A história do UNIX.

Java

Duke, o mascote do Java, ao lado da xícara de café da plataforma

Projeto Green, Sun · início dos anos 90 · roda na JVM · onde vive no Linux: aplicação corporativa, Elasticsearch, Spark, Tomcat.

A promessa era write once, run anywhere, e a JVM entregou — ao custo de carregar uma máquina virtual junto. Hoje é da Oracle; o Android ainda fala Java, cada vez mais dividido com Kotlin. As LTS atuais são a 21 e a 25. A sintaxe parece C; o modelo, não.

É a linguagem que sustenta boa parte do que você instala num servidor sem perceber — do Elasticsearch ao Tomcat. Duke e a xícara continuam o desenho. Docs: docs.oracle.com/en/java.

Go

O gopher do Go num porto de contêineres, com três goroutines correndo em paralelo

Rob Pike, Ken Thompson e Robert Griesemer, no Google · 2009 · compilada · onde vive no Linux: praticamente toda ferramenta de infraestrutura da última década.

Compila em segundos, faz concorrência com go func() e entrega um binário estático único — sem VM, sem interpretador, sem dependência para instalar no servidor. Foi isso que ganhou a nuvem.

A lista de quem é escrito em Go explica sozinha: Docker, Kubernetes, Terraform, Prometheus, o Gogs e o go-postfixadmin. Em 2017 este post dizia que no Brasil a linguagem ainda era fraca; em 2026 ela é a língua da infraestrutura.

A história completa está em A história da linguagem Go; para instalar, Instalando Golang no Linux. Site: go.dev.

PHP

O elePHPant, mascote do PHP, montando uma página web

Rasmus Lerdorf · anos 1990 · interpretada · onde vive no Linux: mais ou menos metade dos sites do planeta.

Zeev Suraski e Andi Gutmans reescreveram o motor em 1998 e o PHP virou o padrão de fato da web dinâmica. A série 8 tem tipagem, JIT e Fibers — não é nem de longe o PHP 5 que a lista de 2017 conhecia.

É a linguagem que roda este blog (WordPress) e boa parte do que se instala num servidor de hospedagem: o GLPI, o ISPConfig, o PostfixAdmin. Na prática, um host de verdade precisa de várias versões dela ao mesmo tempo — o passo a passo está em Nginx com várias versões de PHP. php.net.

Swift

A andorinha do Swift num laboratório, com celular, tablet e um PC com Linux

Apple · 2014, aberta em 2015 · compilada · onde vive no Linux: menos do que poderia, mas funciona de verdade.

Nasceu para substituir o Objective-C no iPhone e virou o que o post de 2017 mal vislumbrava: uma linguagem de servidor que roda em Linux com toolchain própria e gerenciador de pacotes. A série é a 6.3 em 2026. O Objective-C não morreu na ABI, mas código novo na Apple é Swift.

Se você chegou aqui pelo lado do hardware, vale também Linux em Apple Silicon. Para instalar a toolchain: Instalando Swift no Linux. swift.org.

Perl

O camelo e a cebola do Perl numa biblioteca de fitas, processando texto

Larry Wall · 1987 · interpretada · onde vive no Linux: no /usr/bin/perl que nenhuma distro ousa tirar.

“There’s more than one way to do it” — o lema que a tornou querida e ilegível na mesma medida. Em 2017 ainda aparecia nos rankings; em 2026 saiu do top 20 do TIOBE. O Perl 5 segue vivo; o Raku (ex-Perl 6) tomou outro rumo e virou outra linguagem.

Não é a primeira linguagem que alguém aprende em 2026 — mas é a que segura sistema que ninguém pode desligar. O OTRS, helpdesk que roda em milhares de empresas há vinte e cinco anos, é Perl do chão ao teto. Bioinformática, glue de sysadmin e o CPAN continuam lá. perl.org.

Rust

Ferris, o caranguejo da comunidade Rust, numa oficina com a memória organizada em grade e o logo da coroa de bicicleta

Graydon Hoare, na Mozilla · 2006, 1.0 em 2015 · compilada · onde vive no Linux: no kernel, no sudo e, desde 2026, no ls.

É a entrada mais relevante desde a lista original, e por um motivo técnico específico: memória segura sem coletor de lixo. O compilador cobra a conta antes de o programa rodar — o que irrita na primeira semana e elimina uma classe inteira de bug depois.

Saiu do nicho de vez: o kernel Linux tirou o selo de experimental na versão 7.0 (abril de 2026), o Ubuntu 25.10 passou a entregar o sudo pelo sudo-rs e o 26.04 LTS trouxe o coreutils reescrito em Rust. Top 10 do TIOBE.

A história inteira, com o borrow checker explicado: A história da linguagem Rust. rust-lang.org.

Quem mais entrou depois

TypeScript: JavaScript com tipos, virou o default de frontend sério e já domina o Node no servidor. C++: nunca saiu; o TIOBE a põe em 3º, e é o que segura motor de jogo, navegador e boa parte do que precisa de desempenho sem a disciplina do Rust. Kotlin: o caminho preferencial do Android hoje, rodando na mesma JVM do Java. A lista de 2017 não tinha nenhuma das três com esse peso.

Quem fala o quê no seu servidor

A forma mais rápida de entender o mapa é olhar o que você já tem instalado:

Você usa Está rodando
O kernel, systemd, bash, PostgreSQL, nginx C
Docker, Kubernetes, Terraform, Prometheus Go
WordPress, GLPI, ISPConfig PHP
Ansible, apt, quase toda ferramenta de IA Python
OTRS/Znuny, muito script de sysadmin antigo Perl
Redmine, GitLab Ruby
Elasticsearch, Tomcat, Spark Java
O sudo y el ls do Ubuntu 26.04, drivers novos do kernel Rust

Nenhuma dessas escolhas foi arbitrária. Cada uma resolve um problema que as outras resolviam mal — e é por isso que as sete continuam vivas.

Qual escolher para quê

Ranking não decide nada. O que decide é o problema:

Se o objetivo é… Comece por Por quê
Automatizar servidor, script de sysadmin Python (ou shell) Está em toda distro, lê-se rápido, biblioteca para tudo
IA, dados, ciência Python É onde o ecossistema inteiro mora
Ferramenta de linha de comando, agente, serviço de rede Go Binário estático único, compila em segundos, concorrência barata
Kernel, driver, sistema embarcado C — ou Rust, se o projeto aceitar Acesso direto ao ferro; o Rust acrescenta a garantia de memória
Site, CMS, e-commerce PHP WordPress, Laravel e a hospedagem mais barata do planeta
Sistema corporativo grande, Android Java ou Kotlin JVM, ferramental maduro, mercado de trabalho
Frontend TypeScript Não há alternativa real no navegador
App de iPhone que também roda no Linux Swift Open source desde 2015, com SPM funcionando fora do Mac

E a resposta mais honesta para “qual aprender primeiro”: a que resolve o problema que você tem agora. A segunda linguagem custa uma fração do esforço da primeira.

Links

Por onde seguir

As biografias completas que já publicamos: A história da linguagem Go e A história da linguagem Rust — as duas apostas opostas da mesma década, uma escolhendo simplicidade com coletor de lixo, a outra segurança sem ele.

Para pôr a mão: Python do básico ao profissional, Instalando Golang no Linux, Swift no Linux e várias versões de PHP no mesmo host. E, se o objetivo é escrever menos e entender mais rápido, os assistentes de IA no terminal explicam qualquer trecho destas sete no lugar onde você trabalha.

O chão onde todas rodam: Linux faz 35 anos.